Israel retoma ataques contra alvos do Hezbollah em Beirute
Israel voltou hoje a bombardear alegadas infraestruturas do grupo xiita Hezbollah, aliado do Irão, em Beirute, indicou o exército, após o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ter declarado que os ataques no vizinho Líbano vão continuar.
Os militares israelitas tinham emitido avisos de evacuação para os subúrbios sul da capital libanesa, um bastião do Hezbollah.
No breve comunicado em que anunciou os novos ataques, as forças de Israel remeteram detalhes para mais tarde.
O gabinete de Benjamin Netanyahu divulgou hoje uma declaração na qual deu conta de um telefonema com o Presidente norte-americano, que disse acreditar num acordo com o Irão como via para alcançar os "objetivos de guerra" dos dois países na ofensiva conjunta lançada em 28 de fevereiro contra a República Islâmica.
No entanto, Netanyahu advertiu que Israel vai defender os seus "interesses vitais em qualquer circunstância" e continuará a bombardear o Irão e o seu aliado libanês.
"Ao mesmo tempo, continuamos a atacar o Irão e o Líbano. Estamos a desmantelar o programa de mísseis e o programa nuclear [iraniano], e continuamos a infligir graves danos ao Hezbollah", declarou o chefe do Governo.
O Hezbollah arrastou o Líbano para este conflito desde que, no início do mês partiu em apoio do aliado iraniano e começou a bombardear Israel, que respondeu com uma forte campanha aérea e o lançamento de tropas terrestres no sul do país vizinho, ampliando as posições militares que já ocupava desde o conflito anterior.
Pelo menos 1.039 pessoas morreram, incluindo 118 crianças, e 2.876 ficaram feridas no Líbano desde o início das hostilidades entre Hezbollah e Israel, segundo o último balanço oficial de Beirute, que regista também centenas de milhares de deslocados.
Israel tem também bombardeado nos últimos dias uma série de passagens sobre o rio Litani, que ligam o sul do Líbano ao resto do país, procurando isolar os combatentes do Hezbollah.
Hoje, as forças israelitas alegaram que dois mísseis lançados na véspera pelo Irão contra Israel caíram em território libanês.
"O Hezbollah decidiu unir-se ao regime terrorista iraniano nos seus ataques contra Israel, pondo em risco a vida dos civis libaneses e de todo o Estado do Líbano", afirma os militares israelitas, que acusam Teerão de se concertar com "o seu braço armado mais poderoso, operando em seu nome", para atacar o território israelita e também civis no Líbano.
Israel e o Hezbollah chegaram a um acordo de cessar-fogo em novembro de 2024 para terminar mais de um ano de confrontos diretos no seguimento da guerra na Faixa de Gaza, mas o entendimento nunca foi respeitado por completo.
O Governo do Líbano proibiu as atividades militares do Hezbollah no mesmo dia em que foram reatadas as hostilidades contra Israel, que por sua vez acusa Beirute de falhar o seu propósito de desarmar os combatentes do grupo libanês.