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Fact Check Madeira

Hospitalização domiciliária para toda a Região é um objectivo antigo?

Serviço de hospitalização domiciliária foi implementado em Março de 2023.
Serviço de hospitalização domiciliária foi implementado em Março de 2023., Foto Arquivo

A Unidade de Hospitalização Domiciliária (UHD) do Serviço de Saúde da Região (SESARAM) assinala este mês de Março três anos de existência. São muitos os elogios feitos ao serviço prestado, com vários utentes e familiares a dar conta das vantagens deste tipo de ‘internamento’.

Num cenário em que as altas clínicas têm atingido números recorde e em que se perspectivam menos cama para internamento no novo hospital, não falta quem aponte a necessidade de alargar esse serviço a todos os concelhos da Região.

Mas será que esse alargamento já foi prometido no passado e ainda não foi cumprido? É isso que vamos aqui tratar de verificar.

Três anos depois de ter entrado em funcionamento, a Unidade de Hospitalização Domiciliária do SESARAM acompanhou um total de 490 doentes. Contando, actualmente, com o apoio de 11 médicos e seis enfermeiros (estes a tempo inteiro), o serviço limita-se ao concelho do Funchal. A equipa multidisciplinar que assegura o acompanhamento dos doentes conta, ainda, com assistentes sociais, farmacêutico, nutricionista e motorista.

Ao longo deste período, têm sido vários os argumentos que evidenciam a mais-valia do ‘internamento’ em casa, com ganhos para o doente e poupança para o erário público.

Helena Sousa, por exemplo, fala em “excelentes profissionais”, relatando o acompanhamento dado ao seu marido, elogiando a equipa médica e os enfermeiros, referindo uma disponibilidade ao longo de todo o dia.

Já Carla Ferreira, na primeira pessoa, mostra a “gratidão por tudo o que fizeram” por si. Partindo dessa sua experiência, refere que “se o serviço pudesse ser alargado a mais concelhos, seria uma mais-valia para haver internamentos com dignidade, libertando os corredores dos hospitais”. Como a própria reconhece, “para que tal aconteça, teria de haver mais recursos”, apelando aos decisores que pensem seriamente nessa possibilidade.

Na mesma linha, Isabel Abreu apela ao alargamento da hospitalização domiciliária, “uma vez que os doentes de mais longe devem ter as mesmas oportunidades”.

Embora, agora, a rede se limite ao concelho do Funchal, no ano de 2024, a mesma abrangia, também, o concelho de Câmara de Lobos, situação que foi evidenciada em Agosto desse ano, pelo então secretário regional de Saúde e Protecção Civil, quando foram entregues duas novas carrinhas para reforçar os meios disponíveis.

Na ocasião, Pedro Ramos salientava que as seis viaturas colocadas ao serviço iriam “permitir uma resposta global desta hospitalização domiciliária a todos os concelhos. Com mais veículos e mais profissionais, vamos poder acompanhar mais doentes e retirar mais doentes do ambiente hospitalar para ficarem em casa, porque é onde os doentes querem estar”.

Fazendo eco das palavras do então governante, o SESARAM, na sua página institucional, notava, a 29 de Agosto de 2024, que “o objectivo é que, até ao final do ano, estejam reunidas as condições para abranger todos os concelhos da Madeira, estando prevista, para tal, a entrega de mais quatro viaturas”.

Na argumentação era referido que “este modelo de prestação de cuidados afigura-se como uma alternativa ao internamento hospitalar, proporcionando uma assistência contínua aos utentes que cumpram um conjunto de critérios clínicos, sociais e geográficos necessários para a sua hospitalização domiciliária”.

Também a coordenadora da Unidade de Hospitalização Domiciliária, a médica internista Maria da Luz Brazão, já manifestou, em algumas ocasiões, a vontade de levar este serviço a outros concelhos além do Funchal, chegando, assim, a mais utentes, apontando como condição o reforço de meios humanos e materiais.

No que toca a estes últimos, a aquisição de seis viaturas novas, cujo procedimento está em curso e conta com verbas do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), deverá suprir parte das carências e dotar de condições para poder alargar a abrangência do serviço.

Mas, por enquanto, a vontade de levar a hospitalização domiciliária mais longe ainda não passou disso, havendo mesmo uma diminuição dessa abrangência, já que deixaram de ser considerados elegíveis os doentes residentes no concelho de Câmara de Lobos, ao contrário do que já aconteceu do passado.

Perante estas constatações, classificamos como verdadeira a premissa de que a hospitalização domiciliária para toda a Região é um objectivo assumido publicamente pelo menos desde 2024. Apesar de ter sido apontada uma meta precisa para a sua concretização até ao final desse ano, a mesma não só não foi cumprida, como a abrangência do serviço acabou por regredir, deixando de fora concelhos que anteriormente estavam incluídos.

No assinalar do 3.º aniversário da Unidade de Hospitalização Domiciliária, vários comentários nas redes sociais 'reivindicam' o alargamento do serviço a outros concelhos da Região, além do Funchal. Apesar de ter sido apontada uma meta precisa para a sua concretização até ao final de 2024, a mesma não só não foi cumprida, como a abrangência do serviço acabou por regredir, deixando de fora concelhos que anteriormente estavam incluídos.