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Guerra no Irão Mundo

AIEA pede "máxima contenção" após ataque a cidade israelita com centro de investigação nuclear

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A Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA) apelou hoje para a "máxima contenção militar", após um míssil iraniano ter atingido a cidade israelita de Dimona, onde se situa um centro de investigação nuclear.

"A AIEA (...) não recebeu qualquer indicação sobre possíveis danos no centro de investigação nuclear do [deserto do] Neguev", afirmou a agência especializada da ONU numa mensagem publicada na rede social X.

"As informações provenientes de Estados da região indicam que nenhum nível anormal de radiação foi detetado", acrescentou a organização.

Depois de atingir as infraestruturas energéticas, a guerra no Médio Oriente, que hoje entrou na quarta semana, estendeu-se às instalações nucleares: o Irão atacou Dimona, cidade do sul de Israel onde se situa um centro de investigação nuclear, em retaliação por um ataque, esta manhã, ao seu complexo nuclear de Natanz, no centro do país.

Trinta e nove pessoas foram feridas por estilhaços em Dimona, onde um edifício de habitação sofreu o "impacto direto do míssil" iraniano, segundo as autoridades locais.

Detritos de todos os tipos, árvores cortadas e blocos de betão cobrem o local, que se assemelha a um campo de batalha.

O local atingido situa-se numa zona residencial, a cerca de cinco quilómetros do Centro de Investigação Nuclear do Neguev Shimon Peres, uma instalação dedicada a pesquisa que, segundo a imprensa estrangeira, esteve envolvida na produção de armas nucleares nas últimas décadas.

Israel é considerado o único país do Médio Oriente a possuir armas nucleares, mas mantém uma política de "ambiguidade estratégica" sobre o assunto.

O complexo de Dimona é oficialmente dedicado à investigação nuclear e ao fornecimento de energia.

O Irão reivindicou o ataque com o míssil, afirmando que foi "uma resposta" ao "ataque inimigo" ao complexo de Natanz, anteriormente relatado por Teerão.

De acordo com a Organização de Energia Atómica do Irão, "não foi reportada qualquer fuga de material radioativo" em Natanz, local que já tinha sido atingido no início de março.

O Exército israelita afirmou "desconhecer" qualquer ataque deste tipo, ao passo que a televisão estatal iraniana Kan noticiou ter-se tratado de um ataque norte-americano.

No entanto, Israel afirmou ao fim da tarde ter bombardeado um centro universitário em Teerão, Malek-Ashtar, "utilizado pelo regime terrorista iraniano para desenvolver componentes para armas nucleares".

Ao lançar a ofensiva contra o Irão, com Israel, a 28 de fevereiro, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou a intenção de eliminar a ameaça nuclear iraniana, já significativamente enfraquecida pela guerra de 12 dias em junho de 2025.

As potências ocidentais suspeitam que o Irão está a tentar produzir armas nucleares, o que Teerão nega, e as negociações sobre a matéria em curso em fevereiro foram abruptamente interrompidas pelo ataque israelo-norte-americano.

Em retaliação, o Irão encerrou o estreito de Ormuz e tem lançado ataques indiscriminados contra alvos em Israel, bases militares norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.

Incidentes com projéteis iranianos foram também registados em Chipre, na Turquia e no Azerbaijão.

Desde o início do conflito, as autoridades iranianas contabilizaram pelo menos 1.230 civis mortos - entre os quais o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989, entretanto substituído pelo seu segundo filho, Mojtaba Khamenei, e o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani - e mais de 10.000 civis feridos, segundo o balanço oficial divulgado a 05 de março.

Hoje, a emissora estatal elevou o número de mortos para mais de 1.500, citando o Ministério da Saúde.

A organização não-governamental opositora HRANA (Human Rights Activists News Agency), com sede nos Estados Unidos, situou na sexta-feira o total de vítimas mortais em pelo menos 3.134.