"Já não dá para viver num país onde ter casa é um privilégio"
Manifestação decorre esta manhã no Funchal, exigindo rendas acessíveis e fim dos despejos
“Já não dá para trabalhar o mês inteiro e não conseguir pagar uma renda. Já não dá para ver o salário desaparecer no dia em que entra. Já não dá para viver num país onde ter casa é um privilégio”, afirmou Herculano Sousa, porta-voz do Núcleo Regional do Movimento Porta a Porta – Casa para Todos.
O movimento realizou esta manhã, na Placa Central da Avenida Arriaga, nas imediações do Largo da Sé, no Funchal, uma manifestação pelo direito à habitação.
Na intervenção, Sousa denunciou que famílias são despejadas, jovens são obrigados a emigrar por falta de habitação e trabalhadores vivem em quartos sobrelotados ou até em tendas, enquanto “benefícios fiscais continuam a ser dados a senhorios e casas vazias são entregues ao turismo”.
O porta-voz sublinhou que o problema não é a falta de soluções, mas “falta de vontade política”, lembrando que a Constituição garante a todos o direito a uma habitação digna. Sousa apelou à luta colectiva e contínua do movimento: “Vamos lutar até que ninguém tenha de escolher entre pagar a renda ou comer. Vamos lutar até que viver nesta região volte a ser possível. Somos o porta a porta, casa para todos, e esta é uma luta por uma casa para viver.”
O Movimento Porta a Porta – Casa para Todos surge como resposta aos problemas enfrentados pela maioria das pessoas que vivem e trabalham em Portugal no acesso à habitação, exigindo rendas comportáveis, contratos estáveis e protecção pública efectiva.
Perto de meia centena de participantes estiveram presentes, incluindo dirigentes da CDU, BE e JPP, que entretanto se juntaram à manifestação.