Friatum, empresa do Grupo Vidinha, declarada insolvente
Empresa tem dívida de 5 milhões de euros. Mais de 20 trabalhadores já foram mandados para o desemprego
A empresa Friatum-Comércio Industria Produtos Alimentares, Lda., uma das empresas do conhecido Grupo Vidinha, foi declarada insolvente pelo Juízo de Comércio do Funchal do Tribunal Judicial da Comarca da Madeira.
A sentença proferida a 6 de Março último e divulgada a 11 de Março no Portal CITIUS, decorre de um processo de insolvência de pessoa colectiva requerido pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), principal credora desta empresa que tem os seus primórdios em 1945 e cujas instalações estavam há alguns anos no Parque Industrial da Zona Franca da Madeira, no Caniçal.
Instalada na Plataforma 5 E da Zona Industrial da Madeira, importa referir que os trabalhadores, mais de 20, já foram mandados para o desemprego, desconhecendo o DIÁRIO exactamente quantos mais foram afectados. Mas o certo é que, em 2023, aquando das últimas notícias sobre investimentos, o Grupo Vidinha apontava para o objectivo de ter mais de 200 trabalhadores no futuro.
Refira-se que além da Friatum - Comércio e Indústria de Produtos Alimentares, Lda, empresa chave do grupo, que estava focada na transformação e comércio de produtos alimentares, frequentemente associada à inovação no setor, o Grupo Vidinha é composto pelas empresas Vidinha & Moreira, Lda e Vidinha à Mesa.
O tribunal nomeou para Administrador da Insolvência Jorge Rui Gonçalves Soares, domiciliado no Porto. Para reclamação de créditos à empresa ou os seus representantes, o tribunal deu 30 dias a partir da data da sentença, tendo já decorrido 14 dias.
O DIÁRIO sabe que a empresa deve pelo menos 5 milhões de euros. O tribunal também já decidiu o dia 29 de Abril, pelas 14h15, para a realização da reunião de assembleia de credores de apreciação do relatório.
80 anos de actividade
Com mais de 80 anos de experiência, a empresa original fundada em 1945, com base na actividade de Francisco do Nascimento em Machico, foi desenvolvendo o seu negócio na indústria e comércio de produtos de pesca, referindo-se como "uma marca forte, que foi conquistando a confiança dos seus clientes e consumidores", lê-se numa das suas páginas ainda activas nas redes sociais. A empresa em si foi criada em 17 de Janeiro de 2001.
"Tudo isso graças a um trabalho sério, focado na qualidade dos seus produtos e serviços para satisfazer os mais altos padrões de exigências", acrescenta. "Um dos líderes em Portugal no mercado grossista da venda de pescado fresco e congelado" que em 2022 dizia ter facturado 22 milhões de euros.
"A sede está localizada na Zona Franca Industrial da ilha da Madeira, onde possuímos duas instalações industriais, uma unidade de frescos com mais de 1500m², equipada com as mais recentes tecnologias de produção e uma unidade congelados com mais de 1700m², equipada com linhas de produção de pescado congelado e câmaras de armazenamento", tendo sido alvo de investimentos recentes, há menos de 4 anos no valor de 1,5 milhões de euros.
"Nos Açores, estamos presentes no mercado regional do pescado à mais de 20 anos e oficialmente representados partir de 2011 com a criação da empresa Pescaromas, com uma unidade de frescos com mais de 1500m², em São Miguel e com alguns centros de logística localizados estrategicamente em algumas ilhas do arquipélago", referem ainda, num texto divulgado em 2020.
"Operamos também nas lotas de Portugal continental.
A aposta na qualidade dos seus produtos apresenta-se como factor de reconhecimento no mercado do peixe, focado na qualidade dos seus produtos e serviços para satisfazer os mais altos padrões de exigências", conclui a apresentação formal.