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Guerra no Irão Mundo

Suécia protesta contra execução de cidadão com dupla nacionalidade

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Foto AFP

A Suécia denunciou hoje que um cidadão com dupla nacionalidade, irano-sueco, foi executado pelas autoridades iranianas, com o Governo a convocar o embaixador do Irão para protestar contra a aplicação da pena de morte.

"O Ministério dos Negócios Estrangeiros condenou veementemente a aplicação da pena de morte, bem como o julgamento injusto que a precedeu. A pena de morte é uma desumana, cruel e irreversível. A Suécia, tal como o resto da UE [União Europeia], condena a sua aplicação em todas as circunstâncias", declarou o executivo sueco.

"Para nós é evidente que o processo judicial que conduziu à execução do cidadão sueco não cumpriu os requisitos legais. A responsabilidade por isto recai exclusivamente sobre o Irão", afirmou, num comunicado, a ministra dos Negócios Estrangeiros da Suécia, Maria Malmer Stenergard.

A governante acrescentou que a Suécia continuará a condenar "todas as violações graves dos direitos humanos no Irão".

O indivíduo, cuja identidade não foi divulgada e que tinha obtido a nacionalidade sueca em 2019, estava detido desde junho do ano passado.

Em declarações à agência noticiosa sueca TT, Stenergard revelou que convocou o embaixador do Irão na Suécia para lhe transmitir "um claro protesto" pela execução.

"Quando ontem à tarde [terça-feira] soube que a execução estava iminente, tentei contactar o meu homólogo, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano [Abbas Araghchi], para protestar da forma mais firme, mas este não aceitou manter uma conversa", disse Stenergard.

O indivíduo chegou à Suécia em 2015 e recebeu a nacionalidade quatro anos depois, que não foi reconhecida pelo Irão, o que dificultou a participação das autoridades suecas no processo judicial subsequente, segundo Stenergard.

Segundo a televisão pública sueca SVT, o indivíduo foi detido durante os ataques aéreos realizados no verão passado pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão e foi condenado à pena de morte por espionagem a favor de Telavive.

Centenas de pessoas morreram no Irão na sequência dos novos bombardeamentos realizados desde 28 de Fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel.

Os Estados Unidos e Israel lançaram em 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que respondeu com o encerramento do estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.