O meu Nacional

Para que não subsistam quaisquer dúvidas por estar a escrever sobre o meu clube — evitando assim perguntas que surgiram aquando do meu último apontamento — informo que não estou, nem jamais estarei, interessado em qualquer cargo no Nacional.

Vamos aos factos…

1 – Futebol profissional

Assisti, no passado domingo, à pior exibição do Nacional.

É verdade que sofrer um golo muito cedo, num jogo em que a vitória era importante, retira discernimento e clareza aos jogadores.

Agora, fomos muito maus. Faltou raça, raiva, alegria e qualidade no futebol praticado. Não tivemos uma única oportunidade flagrante de golo. Abusámos do jogo aéreo, com excesso de cruzamentos para a área, sem quaisquer resultados.

Qual a justificação para uma exibição tão pobre?

- Ordenados em atraso? Não acredito. Rui Alves sempre geriu bem o clube e estas situações nunca foram regra.

- Ausência de jogadores preponderantes na manobra da equipa? Liziero faz, efetivamente, muita falta, mas não é tudo.

- Falta de confiança ou algum desânimo face aos resultados negativos, apesar de algumas boas exibições? Poderá ser, mas aqui acreditamos que o Nacional tem uma estrutura preparada… será?

Sou da opinião de que Tiago Margarido tem feito autênticos milagres no Nacional. Sou daqueles que defendem um futuro risonho para o nosso técnico.

Mas ontem não subscrevo algumas das suas decisões, nomeadamente: a) o seu discurso no final do jogo peca por repetitivo. Ontem tinha de assumir que o Nacional jogou mal e pouco fez para conquistar os três pontos;

b) Ao substituir o Boia, mesmo estando a jogar mal, retirou-nos a única esperança de, num lance individual, poder meter a bola dentro da baliza;

c) André Sousa já demonstrou, em várias oportunidades, que — face à falta de qualidade do meio-campo atual (o da época passada era claramente superior) — tem lugar no onze inicial. Não percebo o receio de o colocar de início.

O momento é difícil. É urgente que todos saibam corresponder aos desafios do clube. A continuidade na Primeira Liga é determinante para o futuro do Nacional.

Continuo a acreditar. A equipa já provou que é capaz de jogar muito melhor e de alcançar os pontos necessários para a manutenção.

O clube

Ao longo dos anos tenho defendido que o Nacional precisa de se profissionalizar em vários setores.

O clube precisa de dar uma resposta mais adulta, de acordo com as exigências de uma Liga profissional, se queremos crescer e afirmar-nos no patamar mais alto do futebol português.

Algumas ideias concretas:

- Estar mais próximo dos sócios e simpatizantes, criando dinâmicas que levem mais gente à Choupana.

- Criar iniciativas inovadoras à volta dos jogos. O Nacional raramente apresentou algo diferente que pudesse atrair adeptos.

- Melhorar a imagem do estádio, por exemplo no túnel de acesso às bancadas, homenageando antigos atletas com imagens ou caricaturas alusivas.

- Recuperar o museu, lançado em boa hora por Paulo César. O estado atual é muito fraco, sobretudo no primeiro andar, onde os cartazes estão danificados e sem qualidade.

- A claque do Nacional, tão importante na subida de divisão, parece estar a perder gente e dinamismo. O que se passa? É importante perceber por que razão menos adeptos estão a aparecer junto da claque, pois a sua força e apoio serão decisivos nos próximos jogos.

Ficam aqui alguns exemplos concretos e objetivos para melhorar o nosso Nacional.

Para terminar, duas perguntas:

1 – Que resultados concretos já trouxe para o clube a criação do HUB tecnológico, apresentado em maio de 2025 e liderado por Candy Flores?

2 – É verdade que o Nacional contratou o jovem José Pedro Prada para assessor de imprensa, que desempenhou funções na Federação Portuguesa de Futebol?

Se assim for — e não sendo uma decisão isolada — trata-se de um passo importante para a profissionalização do clube, pois era uma lacuna evidente.

O importante é que o Nacional esteja vivo, que os nacionalistas não tenham receio de exprimir as suas ideias e que todos contribuam para um clube melhor.

Ricardo Pestana