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Madeira

Corrida moderada e sem pressas em domingo tranquilo

O desabafo de quem enche o depósito entre a revolta e a necessidade

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Com o anúncio de novos aumentos nos combustíveis, os postos de abastecimento tornam-se o palco de um descontentamento generalizado, ainda que com alguma resignação pelo meio ou mesmo algum 'pouco importa' de outros. Entre críticas à carga fiscal e a resignação de quem precisa do carro para trabalhar, os cidadãos com quem o DIÁRIO conseguiu falar oscilam entre a estratégia de antecipação e a descrença nas políticas governamentais para fazer baixar os preços.

O cenário repete-se a cada previsão de subida: filas ligeiramente mais densas e um sentimento de injustiça que transparece em cada conversa junto à mangueira de abastecimento. Se para alguns a subida é um "roubo" inevitável, para outros, como os profissionais do sector dos Táxis/TVDE ou do sector agrícola, o aumento é um golpe direto na subsistência.

A crítica mais contundente surge de quem vê o aumento como uma manobra puramente lucrativa. "Estamos a pagar uma coisa que eles têm em reserva", desabafa um cidadão enquanto atesta o veículo por necessidade, e não por estratégia. Para este condutor, a justificação do preço internacional não convence quando o produto já está armazenado: "Eles ainda não receberam o petróleo mais caro... Isto é roubar o povo. Só há lei para o pobre, para o governo não há lei."

Este sentimento de desprotecção é partilhado por muitos que consideram que deveria existir uma regulação mais apertada. "Internacionalmente devia haver um tribunal que tomasse conta disso", sugere, visivelmente agastado com o que descreve como um enriquecimento do Estado à custa dos cidadãos.

No sector dos transportes, a procura por alternativas menos asfixiantes leva alguns condutores a optar pelo Gás (GPLAuto). Um motorista de TVDE, que ainda paga menos de um euro por litro, admite que, por enquanto, o valor ainda é suportável, embora o consumo seja superior. "Comparado com a gasolina e o gasóleo, o governo ainda consegue aguentar (o preço do gás)", refere, enquanto monitoriza os custos fixos de uma profissão que exige quilómetros constantes.

Já no sector primário, o abastecimento é feito em 'boiões' de 20 litros. Num posto de abastecimento, um agricultor enche recipientes para máquinas agrícolas, mas recusa a ideia de açambarcamento. "É mesmo para utilizar. Para guardar não vale a pena", explica, notando que a azáfama maior terá ocorrido nos dias anteriores. "Sexta e sábado a corrida estava mais séria. Penso que as pessoas já encheram o depósito", acredita.

Apesar da insatisfação local, há quem olhe para o exterior com preocupação redobrada. Com os aumentos no continente a atingirem valores que alguns descrevem como "assustadores", a Madeira parece, para já, viver uma realidade ligeiramente amortecida, mas não isenta de medo.

A pergunta que fica no ar, entre o som das bombas de gasolina, é até quando o mercado - e as famílias - conseguirão absorver estes impactos. Para a maioria, a resposta é curta e amarga: "Não vale a pena... a gente tem de encher na mesma", atira um cidadão, enquanto atesta 40 euros, diz, porque o carro já estava na reserva.

Deverá ser assim ao longo do resto do dia, com muitos a procurarem as bombas de gasolina no final do dia, quando estão de regresso dos passeios de domingo em família. A poupança poderá ou não compensar, pois se não for hoje, seguramente amanhã pagará mais, seja pela gasolina, seja pelo gasóleo.

Nesta semana, que agora irá começar, os preços vã escaldar, sobretudo para quem deixou o tanque chegar quase á reserva, sentirá logo a diferença, por exemplo, se tiver de colocar 50 litros. No gasóleo rodoviário pagará mais 10,85 euros comparado com o que pagara há duas semanas e na gasolina 95 irá pagar mais 4,45 euros por 50 litros.

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