Participação no Concurso Maria Aurora cresce de forma significativa
A edição de 2025 do Concurso Literário Municipal Infantojuvenil Maria Aurora registou um crescimento significativo de participação, com um total de 42 candidaturas, duplicando o número da edição anterior. Destas, 32 corresponderam ao género poético e 10 ao género narrativo. No 2.º e 3.º ciclos foram submetidos 30 trabalhos de poesia e 6 de prosa, enquanto no ensino secundário foram recebidas 2 candidaturas de poesia e 4 de prosa.
No 2.º e 3.º ciclos – Poesia, o 1.º lugar foi atribuído a Matilde Ramos Ribeiro, com o poema 'Ser jovem na Geração Ponto de Interrogação(?)'; o 2.º lugar a Salvador de Albuquerque Coimbra Fernandes, com a obra 'As horas que não se vendem'; e o 3.º lugar a Rafaela Carolina Dias Rocha, com o poema 'Sem Aplausos'.
No 2.º e 3.º ciclos – Prosa, o 1.º prémio distinguiu Ema Beatriz Guimarães Pestana, com o texto 'Anatoly_Lyde – Cartas do Adeus'; o 2.º prémio foi atribuído a Bianca Pimenta Mantero, com a narrativa 'Entre Sombras e Luzes – A Jornada de Clara'; e o 3.º lugar a Eva Vieira, com a obra 'As Vozes da Maré'.
No ensino secundário – Poesia, o 1.º lugar foi conquistado por Ana Catarina Sousa Teixeira, com a obra 'Que encontrem no criar razões para viver', e o 2.º lugar por Annabella Mercedes Figueira Galicia, com o poema 'Ícaro'. Não foi atribuído o 3.º prémio nesta categoria por inexistência de mais candidaturas.
No ensino secundário – Prosa, o 1.º lugar foi atribuído a Mateus Paulo Spínola Gouveia, com o texto 'Quando a ilha nos chama', o 2.º lugar a Inês Francisca Silva de Nóbrega, com 'Caliandra – A lenda de Laiá', e o 3.º lugar a Maria Leonor Pereira Freitas, com 'Dois Fantasmas em Submersão'.
O júri deliberou ainda atribuir uma Menção Honrosa a Rodrigo André Morna Ramos, aluno do 2.º e 3.º ciclos, no género poético, pela sua notável capacidade de expressar sentimentos profundos e universais através da escrita.
Entre os alunos premiados, destacam-se representantes da Escola da Apel, da Escola Básica e Secundária Dr. Ângelo Augusto da Silva, da Escola Básica dos 2.º e 3.º Ciclos Dr. Horácio Bento de Gouveia, da Escola Profissional das Artes da Madeira – Eng. Luiz Peter Clode e da Escola Salesianos do Funchal. Em virtude de ser o estabelecimento de ensino com maior número de alunos distinguidos, foi atribuído à Escola da Apel o Prémio Escola, no valor de 300 euros em material escolar.
O anúncio dos vencedores da edição de 2025 do Concurso Literário Municipal Infantojuvenil Maria Aurora decorreu, hoje, no salão nobre da Câmara Municipal do Funchal.
Em representação da família, Ângela Morna, filha da autora, destacou a dimensão humana e cultural da escritora, deixando uma mensagem inspiradora aos jovens participantes. "A Maria Aurora era uma mulher da cultura, da escrita, da convicção, uma mulher-mãe e mulher-família. A minha mãe partiu há 16 anos, mas foi apenas a matéria. A alma está aqui e hoje está aqui junto de todos vós", afirmou.
Dirigindo-se aos alunos, deixou ainda um apelo. "Leiam muito, escrevam e façam da cultura uma arma para vencermos tanta coisa na sociedade", disse.
Já o presidente da Câmara Municipal do Funchal, Jorge Carvalho, sublinhou a importância do concurso na formação pessoal e criativa dos jovens, bem como na preservação da memória colectiva da autora que lhe dá nome. "Este concurso tem como princípio fazer perdurar no tempo o nome de Maria Aurora, através da escrita, uma das áreas onde mais se destacou na nossa comunidade", referiu.
O autarca enalteceu a coragem dos participantes, salientando o valor de tornar público o pensamento em idades tão jovens. "Quero felicitar todos os alunos que participaram, não apenas os vencedores, pela coragem de partilharem os seus escritos, que traduzem sentimentos, emoções e visões do mundo", afirmou.
Jorge Carvalho deixou ainda um reconhecimento especial aos professores, escolas e famílias pelo papel fundamental no incentivo à leitura e à escrita. "A escrita ajuda-nos a reflectir sobre o nosso quotidiano, a criar pensamento e a desenvolver competências essenciais para o crescimento académico, social e cultural", salientou.
A cerimónia terminou com a entrega dos certificados.
No ensino secundário – Poesia, o 1.º lugar foi atribuído a Ana Catarina Sousa Teixeira, com a obra 'Que encontrem no criar razões para viver'. A jovem explicou que o poema premiado reflecte uma vivência pessoal e a forma como encontrou na arte um espaço de expressão e equilíbrio. "O poema fala de algo de que gosto muito, que é a saúde mental, e do impacto das artes, especialmente do teatro, que para mim funciona como uma casa", afirmou.
Segundo a vencedora, a inspiração surgiu de um processo interno prolongado, comum a muitos jovens da sua idade. " A minha inspiração vem de um percurso já antigo, em que tenho vindo a lidar com alguns problemas, como todos nós lidamos na sociedade, sobretudo nestas idades", explicou.
O teatro surge, nesse contexto, como uma ferramenta essencial de expressão e superação. "Encontrei no teatro uma maneira de me expressar e de ir muito mais além", acrescentou.
O 1.º lugar na categoria de Prosa do ensino secundário do Prémio Literário Municipal Infantojuvenil Maria Aurora foi atribuído a Mateus Paulo Spínola Gouveia, com o texto 'Quando a ilha nos chama', uma narrativa em prosa que reflecte sobre a experiência da partida, do regresso e da redescoberta da identidade.
Em declarações, o jovem autor explicou que o conto aborda a vivência de quem se vê obrigado a sair da sua terra e só mais tarde compreende verdadeiramente o significado do regresso. "O texto fala daquelas pessoas que têm de viajar e sair da sua casa, mas que só depois percebem o que significa regressar", referiu.
A história acompanha Lúcia, a personagem principal, num percurso marcado por contratempos e deslocações inesperadas, que acabam por conduzir à redescoberta da Madeira como lugar de pertença. "Depois de vários obstáculos, descobre que está novamente na sua casa, na Madeira", acrescentou.
Com cerca de dez páginas, o texto evidencia um gosto antigo pela escrita, que o jovem considera essencial continuar a desenvolver. 2Desde pequeno que gosto bastante de escrever e são iniciativas como estas, promovidas pela Câmara Municipal do Funchal, que permitem aos jovens dar asas à imaginação e à criatividade", revelou.
Mateus Paulo Spínola Gouveia sublinhou ainda que o verdadeiro valor do concurso vai além da atribuição de prémios. "Não são apenas os alunos premiados que saem daqui vencedores. Todos os que participaram, escreveram e deram voz às suas ideias contribuem para um concurso tão bonito e tão importante", disse.