Da Madeira para Pombal e Sertã para ajudar a repor energia nas casas
Reportagem da agência Lusa com os funcionários da EEM
Doze funcionários da Empresa de Eletricidade da Madeira estão em Pombal e na Sertã a ajudar nos trabalhos de reparação da rede elétrica de baixa e média tensão, que foi afetada pela passagem da depressão Kristin.
"É tentar ajudar no que for possível em relação à energia elétrica", afirmou hoje à agência Lusa Paulo Jardim, 52 anos, que integra a equipa que veio com a missão de ajudar a E-Redes a repor a energia nestes concelhos, onde muitas aldeias permanecem sem eletricidade.
Equipas da Empresa de Electricidade da Madeira já estão em Leiria
A equipa de técnicos ao serviço da Empresa de Eletricidade da Madeira, disponibilizada pelo Governo Regional da Madeira para ajudar nos trabalhos de recuperação da rede eléctrica, embarcou na tarde de ontem, quarta-feira, para Lisboa e encontra-se já no distrito de Leiria, integrada nas equipas que procedem aos trabalhos de recuperação das redes elétricas, em Média e Baixa Tensão.
Apesar de, na Madeira, também já terem acontecido situações graves decorrentes do mau tempo, Paulo sublinhou: "nada nesta escala".
"Não tem comparação possível", salientou.
Paulo Jardim foi destacado para a reposição da linha de baixa tensão, aquela que chega às casas, mas espalhados pela vasta área afetada há outros elementos que trabalham na média tensão.
Os 12 funcionários da Empresa de Eletricidade da Madeira chegaram ao Continente na quarta-feira e ainda não têm bilhete de regresso a casa.
"Neste momento tentamos ajudar consoante podemos e ainda há muito trabalho a fazer, muito mesmo. São muitas situações, mas (...) é gratificante, porque as pessoas vêm-nos agradecer pelo trabalho que a gente consegue fazer", disse Pedro Cardoso, de 50 anos.
Os 12 elementos provenientes da Madeira integram "um enorme contingente de pessoas e de empresas que, segundo acrescentou, "estão aqui a tentar, o mais rapidamente possível, repor a energia".
Pedro Carvalho realçou que estão na área afetada pela Kristin "numa missão de solidariedade" para com populações afetadas e também se mostrou surpreendido com o grau de destruição que viu no terreno.
"Isto é mesmo um cenário complicado. É muito difícil, mesmo para quem está a coordenar é complicadíssimo. São muitas situações, a rede está literalmente no chão e está a ser reposta aos pouco, à medida que vai sendo possível", sublinhou.
E, apontou: "num cenário como este, tudo aquilo que se consiga fazer nunca é suficientemente rápido".
"As condições meteorológicas não ajudam e, depois, é a situação também de conseguirmos o quanto antes repor. Mas, não é fácil porque, por vezes, existem árvores em cima de cabos elétricos que tem de ser cortadas, afastadas para conseguirmos chegar aos locais. É isto que temos encontrado", contou.
Pedro Carvalho vai hoje para a Sertã, distrito de Castelo Branco, Paulo Jardim fica na zona de Pombal, distrito de Leiria, onde os dois falaram à Lusa.
Antes da ida para o terreno, as equipas reúnem-se com a E-Redes, que indica os locais onde é preciso fazer intervenção.
Um total de 89 mil clientes da E-Redes continuava sem abastecimento elétrico pelas 15:30 de quinta-feira, na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo pelo continente português.
Numa informação enviada à Lusa, a empresa explicou que àquela hora, nas zonas mais críticas, as avarias decorrentes da depressão Kristin afetavam 75 mil clientes.
Segundo a fornecedora, o distrito mais afetado é o de Leiria, com 54 mil clientes sem luz, seguido de Santarém, com 11 mil, Castelo Branco, com sete mil, e Coimbra, com três mil clientes ainda sem energia elétrica.
Doze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
O Governo decidiu na quinta-feira prolongar até ao dia 15 de fevereiro a situação de calamidade para 68 concelhos, e além do pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros que já tinha anunciado, disse que a partir de hoje seriam disponibilizados 275 Espaços de Cidadão e 12 carrinhas móveis para apoio às populações afetadas.