Número de casas vendidas na Madeira caiu 20%
No 3.º trimestre de 2025 foram vendidos 710 casas na Região Autónoma da Madeira, uma quebra de quase 21% face ao mesmo período de 2024 (895 transacções), o que faz com que esta seja a região com a maior quebra homóloga no mercado, comparativamente às outras 25 regiões NUTS II. Os dados divulgados hoje pelo INE revelam que no que toca ao preço, a Madeira continua no topo, figurando entre os maiores valores, ou seja a quarta região onde é mais caro comprar casa.
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), "21 das 26 sub-regiões NUTS III do país registaram crescimentos homólogos do número de transações de alojamentos familiares, tendo Terras de Trás-os-Montes (39,6%) e o Alto Alentejo (33,3%), registado crescimentos acima de 30%" mas do outro lado, "as sub-regiões NUTS III que apresentaram decréscimos homólogos no número de transações foram a Região Autónoma da Madeira (20,7%), Alto Minho (9,7%), Área Metropolitana do Porto (3,7%), Grande Lisboa (1,1%) e Região Autónoma dos Açores (0,2%)". A Grande Lisboa e a Área Metropolitana do Porto concentraram 33,5% das transações de alojamentos familiares no 3.º trimestre de 2025, sendo que o peso da Madeira no mercado é de inferior a 2% (1,73%).
"No período em análise, as sub-regiões da Grande Lisboa (3 567 €/m2), Algarve (3 203 €/m2), Península de Setúbal (2 710 €/m2), Região Autónoma da Madeira (2 512 €/m2), Área Metropolitana do Porto (2 350 €/m2) e Alentejo Litoral (2 128 €/m2) registaram preços da habitação superiores aos do país", assinala. "Destas regiões, evidenciaram-se, por apresentarem também taxas de variação homóloga superiores à nacional, a Península de Setúbal (+25,5%), a Grande Lisboa (+17,6%), o Alentejo Litoral (+16,8%) e o Algarve (+16,6%)". E acrescenta; "No 3.º trimestre de 2025, as 26 sub-regiões NUTS III do país registaram crescimentos homólogos dos preços da habitação, tendo o menor crescimento homólogo (5,5%) sido registado na sub-região Alto Minho. A sub-região Beiras e Serra da Estrela apresentou o menor preço mediano de venda de alojamentos familiares (594 €/m2)."
Sem novidade, também o valor pago pelos não residentes face aos residentes (calculado através do domicilio fiscal do comprador), com a Madeira entre as regiões com valores mais altos.
"No 3.º trimestre de 2025, o valor mediano de alojamentos familiares transacionados em Portugal envolvendo compradores com domicílio fiscal no estrangeiro foi 2 889 €/m2 (mais 19,6% do que no trimestre homólogo) e o das transações envolvendo compradores com domicílio fiscal em território nacional foi 2 083 €/m2 (mais 16,1% do que no trimestre homólogo)", começa por referir o INE. Assim, "cinco das seis sub-regiões com preços medianos da habitação mais elevados apresentaram também os valores mais elevados envolvendo compradores com domicílio fiscal no estrangeiro e em território nacional: Grande Lisboa (5 679 €/m2 e 3 513 €/m2, respetivamente), Algarve (3 968 €/m2 e 3 036 €/m2), Península de Setúbal (3 200 €/m2 e 2 700 €/m2), Região Autónoma da Madeira (3 523 €/m2 e 2 456 €/m2) - basicamente mil euros a mais por metros quadrado - e Área Metropolitana do Porto (3 265 €/m2 e 2 336 €/m2). O Alentejo Litoral também superou a referência nacional nas transações envolvendo compradores com domicílio fiscal em território nacional (2 135 €/m2)".
De referir que "nas sub-regiões Grande Lisboa e Área Metropolitana do Porto, o preço mediano (€/m2) das transações efetuadas por compradores com domicílio fiscal no estrangeiro superou, respetivamente em 61,7% e 39,8%, o preço das transações por compradores com domicílio fiscal em território nacional", diz a autoridade estatística nacional, sendo que na Madeira a diferença é intermédia, de 43,44%. "O preço mediano de alojamentos familiares adquiridos pelas famílias em Portugal, no 3.º trimestre de 2025, foi 2 140 €/m2 (mais 16,6% do que no trimestre homólogo) e o dos compradores pertencentes aos restantes setores institucionais1 foi 1 845 €/m2 (mais 10,2% do que no trimestre homólogo)", acrescenta.
Já "as sub-regiões com preços medianos da habitação mais elevados apresentaram também preços superiores ao do país considerando as duas categorias do setor institucional do comprador (famílias e restantes setores institucionais): Grande Lisboa (3 616 €/m2 e 3 155 €/m2, respetivamente), Algarve (3 188 €/m2 e 3 321 €/m2), Península de Setúbal (2 746 €/m2 e 2 050 €/m2), Região Autónoma da Madeira (2 549 €/m2 e 2 265 €/m2), Área Metropolitana do Porto (2 377 €/m2 e 2 083 €/m2) e Alentejo Litoral (2 184 €/m2 e 1 967 €/m2)", evidencia. "A Lezíria do Tejo registou a maior diferença entre o preço mediano de alojamentos familiares adquiridos por famílias e o preço da habitação dos compradores pertencentes aos restantes setores institucionais que não as famílias (822 €/m2, o que corresponde a mais 98,9%)", sendo que "o Algarve foi a única sub-região do país onde o preço mediano dos alojamentos familiares adquiridos por compradores dos restantes setores institucionais foi superior ao preço dos adquiridos por famílias".
Outra análise interessante, sobretudo no que toca à escola do local onde comprar casa, é a diferença de preços entre concelhos. "Tomando como referência as 167.003 vendas realizadas entre outubro de 2024 e setembro de 2025, o preço mediano de alojamentos familiares em Portugal foi 1 991 €/m2, tendo aumentado 3,5% relativamente ao ano acabado em junho de 2025 e 16,5% relativamente ao ano terminado em setembro de 2024. O preço mediano da habitação foi superior ao valor nacional nas sub-regiões da Grande Lisboa (3 296 €/m2), Algarve (3 021 €/m2), Região Autónoma da Madeira (2 604 €/m2), Península de Setúbal (2 433 €/m2) e Área Metropolitana do Porto (2 199 €/m2)", refere o INE.
Ora, "no período em análise, 56 municípios apresentaram um preço mediano superior ao valor nacional, localizados maioritariamente nas sub-regiões Grande Lisboa (todos os 9 municípios), Península de Setúbal (todos os 9 municípios), Algarve (14 em 16 municípios) e Área Metropolitana do Porto (8 em 17 municípios)", sendo que "o município de Lisboa (4 691 €/m2) registou o preço mais elevado do país. Verificaram-se também valores superiores a 3 500 €/m2 em Cascais (4 431 €/m2), Oeiras (3 996 €/m2), Loulé (3 919 €/m2) e Lagos (3 690 €/m2)", com o Funchal a destacar-se do restante.
"O Algarve, a Grande Lisboa, a Região Autónoma da Madeira e a Área Metropolitana do Porto apresentaram diferenciais de preços entre municípios superiores a 2 000 €/m2", diz o INE, estando São Vicente na outra ponta da corda no que toca aos preços entre os 11 municípios da Região.
"Nos últimos 12 meses terminados em setembro de 2025, o município de Lisboa registou o maior número de transações de alojamentos familiares do país (8 784). Com mais de 4 500 vendas destacavam-se os municípios de Sintra (6 478), Vila Nova de Gaia (5 798) e Porto (4 537)", com o Funchal a representar apenas 252 das 710 transacções, ou seja pouco mais de 35% do mercado.