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Cheia já retirou de casa 179 pessoas em Alcácer do Sal

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Um total de 179 pessoas foi retirado de casa devido às cheias em Alcácer do Sal, até hoje, revelou o comandante da Proteção Civil, afirmando-se preocupado com o agravamento das condições meteorológicas previstas para sábado.

O número de pessoas resgatadas é o total já contabilizado desde o início das inundações na baixa da cidade alentejana, na quarta-feira da semana passada, explicou o comandante Tiago Bugio, acrescentando que "oito povoações" do concelho estão isoladas.

Em declarações aos jornalistas junto ao posto de comando móvel, o comandante Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil do Alentejo Litoral referiu também que as autoridades encontram-se a monitorizar estas povoações, bem como a população das zonas afetadas.

Algumas pessoas retiradas foram para casa de familiares, enquanto outras "tiveram de receber apoio em vários alojamentos" da cidade.

Do hotel da Barrosinha, na periferia da cidade e um dos alojamentos que estavam a receber habitantes resgatados, cerca de 40 pessoas foram entretanto retiradas, porque a unidade turística também sofreu inundações.

O comandante disse temer que a situação piore este sábado, face à previsível chegada a Portugal de uma nova depressão. 

"Há um novo fluxo de precipitação, também muito intenso e acompanhado de ventos fortes", especificou, acrescentando que este novo fenómeno meteorológico traz "preocupações acrescidas". 

Ao longo do dia de hoje, apesar de a água vinda do Rio Sado ainda 'dar banho' à frente ribeirinha e a outras artérias da baixa da cidade, o nível desceu ligeiramente, observou a agência Lusa no local.

E a boa notícia que os alcacerenses 'viveram' foi o facto de a chuva ter dado tréguas.

A partir do terraço de um hotel situado na marginal, ou seja, de um ponto mais elevado, observa-se que o cenário é complicado, com a água a tocar no tabuleiro da ponte metálica, edifícios submersos e dos quais só se avistam os telhados e um Rio Sado autenticamente transformado num 'mar'.

As autoridades e a população vão envidando esforços para ajudar os habitantes afetados, nomeadamente para levar a comida.

Um desses casos é o da habitante Teresa Santos, que foi levar comida a um colega de trabalho, que "está em casa já há dois dias", relatou.

"Vamos começar a ajudar. Agora, a prioridade é um colega nosso, porque a gente telefonou e ele disse que não tinha quase nada em casa. Tem uma miúda com 1 ano", contou Teresa Santos.

A moradora, que se mostrou preocupada, revelou ainda que os seus pais moram na zona ribeirinha, num segundo andar.

Já o chefe dos Escuteiros de Alcácer do Sal, Pedro Martins, contou que, desde o início das inundações, todos os do agrupamento ajudam. 

"Ao longo da semana, temos feito o apoio aqui às forças que estão no terreno, no sentido de trazer abastecimentos, reforços para a noite, bebidas quentes, para tentar dar algum conforto para eles que passam a noite toda aqui no terreno", disse.

Segundo Pedro Martins, chegou uma carrinha de Santo André, cidade do Município de Santiago do Cacém, também do distrito de Setúbal. 

Os materiais, como vestuário e alimentação, são doados por empresas da região, "essencialmente particulares" e recolhidos pelos escuteiros.  

Doze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo decretou situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.