Resgatadas 93 pessoas nos últimos dias da cheia em Alcácer do Sal
Mais quatro pessoas foram resgatadas da cheia do rio Sado, em Alcácer do Sal, distrito de Setúbal, entre quarta-feira e a madrugada de hoje, totalizando 93 cidadãos.
Desde quarta-feira que o cenário na cidade alentejana se agravou, tendo sido necessário o município ativar os meios de emergência.
A marginal está inundada e as ruas também, sendo que, para andar na baixa da cidade, só navegando de semirrígidos, barcos fornecidos pela Marinha para as autoridades ajudarem a população.
Na rotunda localizada ao pé da ponte rodoviária metálica, está colocada uma estátua que representa salineiros, com uma dimensão considerável, chegando já a água aos seus pés e praticasmente aos cestos de sal.
No local, a agência Lusa observou cidadãos que se deslocavam numa rua com água pela cintura e que tinham que ir agarrados às paredes, devido à força da água.
O comércio e os negócios encontram-se alagados, alguns deles efetivamente submersos.
Segundo o comandante Sub-Regional de Emergência e Proteção Civil do Alentejo Litoral, Tiago Bugio, "a maré vai subindo devagarinho e agora, nada há a fazer", sendo que tem-se de "aguardar que a Natureza vá retirando o caudal do [rio] Sado".
Tiago Bugio congratulou-se com o esforço de todo o efetivo empregado, entre bombeiros, militares da GNR e funcionários do município, num total de cerca de 80 elementos, e com o facto de não haver quaisquer feridos.
Na quarta-feira à noite, a mesma fonte tinha indicado a necessidade de resgatar 70 pessoas devido a ocorrências relacionadas com inundações, uma vez que o caudal do rio Sado estava a subir "cada vez mais".
O comandante Sub-Regional de Emergência e proteção Civil do Alentejo Litoral, Tiago Bugio, frisou, num balanço pelas 23:15 de hoje, que a situação é "cada vez mais complicada".
Tiago Bugio referiu que a subida da água estava a atingir também Grândola e Odemira (Beja).
As escolas de Alcácer do Sal vão estar encerradas hoje e sexta-feira, devido ao agravamento das condições meteorológicas, afetando mais de mil alunos, que terão aulas em casa.
Onze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das tempestades Kristin e Leonardo, que provocaram também algumas centenas de feridos e desalojados.
O Governo decretou situação de calamidade até ao próximo domingo para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.