Os carnavais de outrora; encontro entre duas máscaras
Uma tarde, um pouco mais amena para o tempo em que estávamos, duas máscaras, passeando calmamente, aproveitaram a quietude que as envolvia, iniciaram um interessante diálogo.
Dizia a máscara mais velha:
- Ó minha amiga, nem imaginas como eram divertidos os carnavais de outrora nas zonas distantes da cidade!
Eram espaços únicos onde vivia a simplicidade de braço dado com a alegria. O cheirinho a malassadas envolvia o ambiente e, já era por si só, um convite para convívios de grande folia, onde os mais novos deliciavam os mais velhos com os seus disfarces e rebeldias.
Cantávamos e bailávamos ao som do barulho dos pandeiros e das tampas velhas de panelas.
Tudo era motivo para a galhofa, onde as máscaras eram de papel de joeira (papel de que eram feitos os papagaios de papel) ou então de papel de embrulho (papel pardo) que se pintavam com carvão.
Ficavam tão lindas e tão genuínas!
Quanta saudade!
A máscara mais nova, ouvindo tudo com muita atenção e também com muita atenção, disse:
- ó minha amiga – isso devia ser tudo uma grande «seca»! Nem bailes organizados nos hotéis; nem desfiles de carnaval; nem máscaras sofisticadas; nem nada mais sofisticado…
Não gostava nada de viver nessa época. Tu que ainda vives o carnaval de agora, fazendo uma comparação, qual é a tua opinião?
A máscara menos jovem, olhando a amiga com muito carinho, ternamente respondeu:
- É verdade que hoje é tudo mais apelativo. São os trajes, as máscaras, os bailes, a música, os desfiles, etc., etc. Mas, tudo tem o seu valor e, o valor da autenticidade e da simplicidade também é duradouro e sabe partilhar.
Ouvindo tudo com muita atenção, a máscara mais jovem despediu-se da amiga, certa de que, é no respeito pela diferença que, o presente e o futuro serão tempos em que dará gosto viver.
Bom carnaval!
Graziela Camacho