Israel mata 12 palestinianos em Gaza, 601 desde cessar-fofo
O Exército israelita lançou, na noite de sábado, uma nova vaga de ataques contra a Faixa de Gaza, que matou 12 milicianos, elevando para 601 o total de palestinianos mortos desde o acordo de cessar-fogo, em 10 de outubro.
O exército de Israel indicou que as mortes foram registadas numa zona do norte do enclave controlada pelas tropas israelitas, que agiram como represália pelo aparecimento dos milicianos na zona de Beit Lahia, no extremo norte da Faixa, que considera constituir uma violação do cessar-fogo, embora não relate que estes homens tenham atacado os militares israelitas.
Para o Exército israelita, o facto de homens armados se encontrarem perto das suas tropas na zona da chamada linha amarela -- referência a uma linha imaginária que atravessa Gaza de norte a sul para demarcar a área controlada por Israel, mais de metade do território, da área sob controlo palestiniano -- contraria o acordo de trégua.
Num comunicado divulgado na noite de sábado, o Exército indicou que o incidente ocorrera durante a manhã e afirmou que os homens armados "provavelmente" saíram de um túnel, acompanhando a nota com imagens nas quais se veem quatro pessoas a caminhar entre os escombros e, posteriormente, a esconder-se debaixo destes.
O Exército indicou ter abatido dois deles e "provavelmente" mais.
Nos mais de quatro meses de cessar-fogo em Gaza, Israel lançou várias vagas de ataques contra a Faixa, causando dezenas de mortos e, em algumas ocasiões, até uma centena, após alegar incidentes semelhantes, que por vezes provocaram feridos entre as suas tropas e algum morto.
Estes ataques israelitas, embora de menor intensidade, são constantes em Gaza, onde quase diariamente se registam vítimas palestinianas devido a fogo israelita, o que o Governo de Gaza, liderado pelo Hamas, tem denunciado repetidamente como violações do cessar-fogo.
Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, 601 palestinianos perderam a vida nestes quatro meses em resultado de ataques do Exército israelita, enquanto 1.607 ficaram feridos.
Quase diariamente e apesar da trégua, Israel bombardeia de forma esporádica ou dispara contra palestinianos que, alega, se aproximam demasiado das tropas posicionadas na linha amarela.
Em retaliação aos ataques do Hamas em 07 de outubro de 2023, pelo menos 72.060 palestinianos morreram na Faixa de Gaza, entre os quais mais de 20.000 crianças, segundo o Ministério da Saúde, desde o início da ofensiva militar israelita, sobre a qual existe algum consenso internacional de que incluiu "atos de genocídio" contra os palestinianos.
A 07 de outubro de 2023, o grupo extremista palestiniano Hamas conduziu um ataque contra Israel, no qual cerca de 1.200 pessoas foram mortas e 251 sequestradas.
Em retaliação do ataque do Hamas, Israel lançou uma operação militar em grande escala na Faixa de Gaza, que, além das mais de 72 mil mortes, provocou um desastre humanitário, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação de centenas de milhares de pessoas.