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Coimbra é a situação "mais preocupante"

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O comandante nacional da Proteção Civil disse hoje que a situação "mais preocupante" é na zona de Coimbra devido ao "risco significativo" de rutura de um dos diques do Mondego e alertou para a continuação de cheias e derrocadas.

"A situação mais preocupante neste momento é no Mondego devido ao risco significativo de poder existir alguma rutura num dos diques. São 30 quilómetros de diques, desde a zona de Coimbra até à Figueira da Foz", disse Mário Silvestre, na conferência de imprensa diária para fazer um ponto de situação das cheias no país realizada na sede da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) em Carnaxide, Oeiras.

O comandante da ANEPC explicou que as pessoas que moram naquela zona foram "previamente alertadas", tendo existido um trabalho de planeamento, e as zonas de concentração e acolhimento da população "já estão montadas e preparadas para receber essas pessoas".

"Neste momento há um trabalho em curso", afirmou, avançando que foi dada prioridade às pessoas idosas, tendo sido evacuados em primeiro lugar os lares de terceira idade que estavam naquela zona.

Mário Silvestre alertou para a continuação de cheias nos próximos dias, situação que se deve "não à precipitação em si, mas pelo impacto que tem nos cursos de água e nas barragens".

"[Importa] alertar as populações que os fenómenos meteorológicos que estamos a viver [ainda] não passaram, eles são persistentes, têm um impacto muito significativo na vida e na normalidade das pessoas, sobretudo das pessoas que vivem nas zonas ribeirinhas", disse.

O comandante nacional adiantou que a chuva deverá terminar no fim de semana, mas muitas zonas vão continuar "sob uma pressão elevada por causa do volume de armazenamento de água nas barragens e por causa da água que vai continuar a chegar aos diversos rios e ribeiros do país".

Segundo o responsável, os cursos de água estão neste momento com o caudal "muito acima daquilo que é expectável", existindo linhas de água que "não corriam com a dimensão que têm há mais de 20 anos".

Além do Mondego, existe igualmente "risco significativo de inundações" nos rios Tejo, o Sorraia, Vouga, Águeda e Sado, indicou, destacando também o deslizamento de terras em Porto Brandão, concelho de Almada, onde neste momento [início da tarde] se está a proceder à evacuação da povoação "porque uma das estradas e a principal estrada de acesso foi cortada".

Mário Silvestre afirmou que estão ativados 12 planos distritais de proteção civil e 125 planos municipais, mantendo-se o plano especial da Bacia do Tejo no nível máximo, vermelho.

Segundo a ANEPC, desde o início do mês foram registadas 14.325 ocorrências relacionadas com as cheias, que envolveram 49.315 operacionais, sendo as mais significativas quedas de árvores, movimentos de massa (deslizamento de terras), inundações e também queda de estruturas.

Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 em 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.