Bernardo Trindade dá receita para que o Turismo seja bem percebido
Presidente da AHP deseja que toda população portuguesa entenda e aceite os benefícios que o sector gera
O presidente da Associação da Hotelaria de Portugal, Bernardo Trindade, indica que 2025 "foi novamente um ano positivo, andando muito perto dos 30 mil milhões de receitas turísticas e dos 82 milhões de dormidas, ainda que com comportamentos assimétricos nas diferentes regiões", destacando o bom desempenho na Madeira.
Um indicador deixado no arranque do 35.º Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo, que decorre até sexta-feira, no Porto, com o madeirense a destacar que "em resultado deste movimento", a importância do turismo na economia portuguesa vai crescer. Contudo, considera que a satisfação da AHP só será plena quando a população portuguesa, toda ela, entenda e aceite estes benefícios. E hoje ainda não é assim. "Porque falta habitação, e as pessoas culpam o AL e os hotéis – ainda que estejamos a falar apenas de 5% do total do alojamento. Porque temos mais lixo nas cidades, e as pessoas culpam o turismo. Não sabendo que os equipamentos para a recolha, limpeza e varredura, em muitos municípios já são pagos pela taxa turística. Dissemos em Lisboa, dizemos no Porto e em Matosinhos, é preciso colocar um selo que diga isso mesmo. Num simples equipamento de higiene urbana esta frase poderosa “este equipamento foi pago pela taxa turística”, referiu.
Um selo que não resolvendo todo o problema da pegada do turismo, "mitiga, educa, muda a percepção", salienta.
Infra-estruturas preocupam
No domínio das infra-estruturas, Bernardo Trindade assumiu estar muito preocupado com a época alta do turismo, o Verão, tendo em conta as várias questões e mudanças que se esperam no sector da aviação. Por isso aponta para a necessidade de serem encontradas respostas para aqueles que querem visitar Portugal. "Se não tivermos respostas, então temos de estudar a carga sobre as cidades. Todos os seus impactos. Presentes e futuros. Somos adeptos da economia de mercado, agora quando tenho a procura é constrangida pelo aeroporto, mais hotéis em zonas densamente povoadas, significa ter as mesmas pessoas distribuídos por mais hotéis. Dissemos isso em Lisboa onde, com o aeroporto saturado, segundo as consultoras teremos mais 45 hotéis até 2028, dizemos isso no Porto, onde até 2028 teremos mais de 35 novos hotéis. Os 17 milhões de passageiros no Francisco Sá Carneiro não representando saturação, exige que se olhe para a actual infra-estrutura", referiu na sessão de abertura do congresso.
O sector recusa a ideia que Portugal tenha turismo a mais, mas a maioria dos empresários do sector admitem que existe alguma concentração de turistas em cidades como Lisboa ou Porto, mas muito potencial ainda nas regiões em si.
Mas não é só a capacidade dos aeroportos que desencadeia preocupações acrescidas no sector. "Estamos muito preocupados com o fim da moratória do Entry Exit System a 31 de Março. Sabemos do esforço que o Governo tem feito para ajudar com a mobilização de agentes da GNR a juntar ao quadro permanente de agentes nos aeroportos. Sabemos do esforço que a ANA tem feito para arranjar espaço para mais boxes, mas o desafio é gigante", reforçou.
Bernardo Trindade ainda lembrou que Portugal vai ter um novo concessionário de 'handling' (assistência em terra a passageiros e bagagens) nos aeroportos do continente. A Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) atribuiu ao consórcio Clece/South -- que reúne a espanhola Clece, empresa de serviços gerais, e a South Europe Ground Services - a licença para a prestação de serviços de assistência em escala nos aeroportos de Lisboa, Porto e Faro por um período de sete anos, superando a proposta da SPdH, antiga Groundforce, detida em 50,1% pela britânica Menzies Aviation e em 49,9% pela TAP.
"Tantas questões em aberto, nomeadamente questões sindicais, e o prazo para a substituição está previsto para maio. Época alta. Estou mesmo preocupado. São muitos remendos", sublinhou o presidente da AHP.
Pessoas em foco
Porque o turismo é uma actividade de mão de obra intensiva, Bernardo Trindade lançou um alerta: "precisamos de pessoas".
O diagnóstico é severo: "Não nos bastamos a nós próprios. Temos de trazer pessoas, assegurar o bom acolhimento e tê-las connosco. Sempre dissemos, estamos disponíveis para formar, já formamos, dar competências, já damos, agora não podemos assumir responsabilidades em áreas que não são da nossa responsabilidade. Falo-vos da habitação. Até porque é nas regiões onde há mais necessidade de habitação que se localizam as zonas onde há mais turismo. Daí que a via verde do governo para simplificar as autorizações de trabalho em Portugal, não é suficiente. Não conheço ninguém no turismo que tenha acedido".