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Madeira

Procissão do Senhor dos Milagres motivou briga política

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Há 23 anos, o DIÁRIO dava conta que a Procissão dos Milagres tinha motivado uma briga política.

A tradicional procissão do Senhor dos Milagres, uma das mais emblemáticas manifestações religiosas de Machico, esteve no centro de uma polémica há precisamente 23 anos. Na edição de 8 de Outubro de 2003, o DIÁRIO dava conta da contestação gerada pela decisão da Câmara Municipal de incluir a cerimónia religiosa no programa oficial das Festas do Concelho.

A procissão nocturna, que já nessa altura contava com cerca de dois séculos de história, estava marcada para as 20 horas, mantendo a tradição de transportar a imagem do Senhor dos Milagres pelas ruas da cidade, à luz de archotes, até à igreja matriz.

O motivo da discórdia prendia-se com um folheto informativo distribuído pela autarquia, no qual a procissão surgia integrada nas comemorações municipais. A decisão desagradou a parte da população e levou o antigo presidente da Câmara e então vereador Bernardo Martins a escrever ao bispo do Funchal, D. Teodoro de Faria.

Na carta, Bernardo Martins lamentava o sucedido e acusava a maioria social-democrata de "imperdoável oportunismo", considerando que estava em causa uma tentativa de apropriação política de uma manifestação religiosa.

O antigo autarca recordava que, ao longo de 200 anos, a organização das procissões sempre estivera sob a responsabilidade da Igreja, distinguindo a cerimónia nocturna de 8 de Outubro da procissão realizada na tarde do dia seguinte, que assinalava o regresso da imagem à Capela dos Milagres e contava com a participação de entidades oficiais.

Confrontado pelo DIÁRIO, o então presidente da Câmara Municipal de Machico, Emanuel Gomes, rejeitava qualquer intenção de aproveitamento político e garantia desconhecer a polémica. "Não temos necessidade de nos aproveitar do que quer que seja", afirmava o autarca, justificando que a inclusão da procissão no folheto tinha apenas o propósito de "informar as pessoas de que a procissão se realiza àquela hora".

Assim, em Outubro de 2003, uma tradição religiosa com dois séculos de história acabava por alimentar uma discussão sobre os limites entre as celebrações religiosas e as comemorações promovidas pelo poder autárquico.