DNOTICIAS.PT
Mundo

Ex-juíza venezuelana denuncia coação para desqualificar politicamente Corina Machado

None

A ex-juíza do Supremo Tribunal de Justiça (TSJ) da Venezuela, Bárbara César Siero, revelou esta terça-feira que foi coagida a assinar várias sentenças de inelegibilidade política, entre as quais a de María Corina Machado.

Bárbara César Siero relatou num vídeo e numa carta publicados nas redes sociais que, a 15 de dezembro de 2023, Machado interpôs uma ação junto do TSJ para que fosse revista a medida de inelegibilidade que lhe tinha sido imposta pelo Tribunal de Contas venezuelano anos antes, mas a juíza acabou por impedi-la de se candidatar à presidência nas eleições de 2024.

"Paralelamente a esse facto, nesse mesmo dia, os meus dois irmãos, o tenente-coronel Guillermo Enrique César Siero, o major Guillermo Henry César Siero, e a minha cunhada, a major Diana Desirée Victoria Justo, foram detidos arbitrariamente por funcionários da Direção-Geral de Contra-Inteligência Militar (DGCIM)", acrescentou.

A juíza desconhecia o local de detenção dos familiares, não teve qualquer contacto com eles e afirmou não ter conhecimento dos crimes que lhes eram imputados.

"A partir daí, os meus três familiares foram utilizados para me coagir na minha qualidade de magistrada e vice-presidente da Secção Política e Administrativa do TSJ, uma vez que eu era competente para decidir sobre o destino político dos candidatos", sublinhou.

Além disso, a juíza revelou que, ao desconhecer o paradeiro dos irmãos e da cunhada e temendo pelas suas vidas, decidiu assinar várias sentenças relativas a inelegibilidades políticas, entre as quais a de Machado, que tinha vencido as primárias da oposição em outubro de 2023.

A 22 de janeiro de 2024, prosseguiu César Siero, o então procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, envolveu os seus familiares na chamada operação "Brazalete Blanco", um suposto plano de magnicídio contra Nicolás Maduro, no qual também foi associada a ativista hispano-venezuelana Rocío San Miguel, absolvida do caso na semana passada.

"Tratou-se de uma narrativa construída para os criminalizar e para me pressionar, por ser competente para julgar os processos de natureza política e, ao mesmo tempo, enviar uma mensagem subliminar aos juízes e membros da FANB (Força Armada Nacional Bolivariana)", afirmou a ex-magistrada.

César Siero denunciou também que foi obrigada a demitir-se do cargo de juíza do TSJ em duas ocasiões.

Em junho passado, indicou a ex-juíza, a cunhada e o irmão, Guillermo Henry César Siero, foram libertados sob medidas cautelares, juntamente com outro grupo de militares envolvidos no mesmo caso.

Na quinta-feira, os irmãos e a cunhada de César Siero foram condenados a penas entre três e doze anos de prisão pelos crimes de conspiração política e encobrimento.

César Siero responsabiliza o Estado venezuelano e os funcionários da DGCIM por qualquer "ataque, ameaça, perseguição, assédio, retaliação ou dano à integridade" contra si ou contra outros familiares.