1º Livro Branco do Alojamento Local em Portugal coordenado por ex-ministro Manuel Caldeira Cabral
O primeiro Livro Branco do Alojamento Local em Portugal vai ser coordenado pelo ex-ministro da Economia Manuel Caldeira Cabral e publicado até maio de 2027, recebendo o documento contributos até ao final deste ano, avançou Elsa Pereira.
"Neste momento, o QR Code que apresentamos estará disponível no nosso website e nas redes sociais, é uma versão de trabalho. É aquilo que nós pensamos que deve ser estruturado de forma a abarcar todas as realidades que acabamos por falar aqui [na 1.ª Cimeira Nacional de Alojamento Local], entre as pessoas, os números, a cidade e tudo mais. A equipa está praticamente constituída, mas cada contributo poderá ser dado indo lá, indo ao site e enviando-nos esse contributo", declarou Elsa Pereira à agência Lusa.
Durante o último painel de hoje da Cimeira Nacional de Alojamento Local, que decorre no Porto até quinta-feira, Elsa Pereira desafiou o economista, professor da Universidade do Minho e ex-ministro da Economia do governo de António Costa (PS), Manuel Caldeira Cabral, para coordenar o Livro Branco do Alojamento Local e o desafio foi aceite.
A primeira versão do Livro Branco está disponível no sítio da Internet da associação de Alojamento Local do Porto e Norte (ALPN), fundada em 2023, onde estão "confirmados alguns autores e os capítulos que vão contar sempre com dois autores", explicou Elsa Pereira.
Os contributos para a versão final do Livro Branco do Alojamento Local vão ser recolhidos até ao final deste ano de 2026, com o apoio de instituições, universidades, para ser o mais abrangente possível e integrar todas as visões que são diferentes".
"Estamos a pedir já às pessoas que comecem a trabalhar nesta parte e depois precisaremos de dois, três meses para compilar e coordenar tudo" para publicar no segundo trimestre de 2027, disse.
"Consulte, acompanhe e contribua" é a indicação que a ALPN indicou hoje durante a 1.ª Cimeira Nacional de Alojamento Local, onde foi referido que o Livro Branco nasceu para fazer as perguntas certas" e "chegar a 2027 com melhores respostas e melhores políticas públicas".
Segundo Manuel Caldeira Cabral, que entreviu hoje à tarde no último painel da Cimeira Nacional do Alojamento no Porto, "a crise da habitação não pode ser explicada com a criação do Alojamento Local".
"Estamos a pôr demasiada pressão no Alojamento Local, mas há outras dinâmicas a acontecer", declarou, referindo que contribui para a crise habitacional os divórcios, os idosos a viver sozinhos, as pessoas a regressar para os centros das cidades recuperados pelo turismo, a pouca partilha de casas entre jovens em Portugal, as 700 mil casas devolutas e casas vazias, crise na construção, os preços elevados para construir.
As obras públicas que estão a ser lançadas como por exemplo aeroportos e TGV, vão também levar à falta de recursos humanos na construção civil para a habitação, porque esses trabalhadores vão estar ocupados nas obras públicas, alertou Manuel Caldeira Cabral.
Cabral defendeu que é preciso ligar "formação e emigração" e "dirigir emigração para a construção".
"É preciso o Estado assumir um papel. A crise na habitação é uma crise de oferta", disse, defendendo que o alojamento local e uma certa reabilitação dos centros urbanos, repovoaram as cidades em Portugal, como aconteceu na Ribeira do Porto".
A Cimeira é promovida pela ALPN, com apoio da Câmara Municipal do Porto, do Turismo do Porto e Norte de Portugal e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).
A iniciativa conta ainda com parceiros das áreas do conhecimento e inovação, incluindo a Porto Business School, o Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo (IPDT) o Turismo de Portugal Escola do Porto, a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, a Porto Ambiente e a Biosphere Portugal