Greve encerra balcão da AIMA na Loja do Cidadão no Funchal
Trabalhadores reivindicam melhores salários e uma carreira própria
A paralisação marcada para esta terça-feira pelos trabalhadores da AIMA - Agência para a Integração, Migração e Asilo está a afectar os serviços deste organismo do Estado na Região.
O balcão existe na Loja do Cidadão, no Funchal, o único da Região, está encerrado.
O DIÁRIO esteve no local e pôde constatar que nenhum dos funcionários que devia estar a prestar atendimento ao público se encontrava a trabalhar.
A greve foi convocada pelo Sindicato dos Técnicos de Migração (STM), que resolveu avançar para esta medida de luta face à ausência de qualquer abertura para negociar por parte de António Leitão Amaro, ministro da Presidência do Conselho de Ministros, entidade que tem a tutela da AIMA.
Ao DIÁRIO, esta manhã, Manuela Niza Ribeiro dava conta do descontentamento dos profissionais deste organismo do Estado face ao tratamento que considerava discriminatório, por comparação com outros organismos públicos que lidam com questão da imigração, dando o exemplo da Guarda Nacional Republicana (GNR).
A responsável sindical não tinha números da paralisação na Madeira, mas acreditava que seria expressiva, à semelhança do que se passa no Continente, para onde indicava uma paralização superior aos 50% logo nas primeiras horas da manhã.
Manuela Niza Ribeiro notava que, mesmo que alguns serviços pudessem funcionar no atendimento ao público, a paralização iria afectar de sobremaneira os processos em curso.
Quanto aos motivos que levaram à greve de 24 horas, refere a exigência de criação de uma carreira técnica própria, que reconheça a especificidade e complexidade das funções na área das migrações, e a atribuição de um suplemento remuneratório equivalente ao previsto para elementos da PSP e da GNR que exercem funções de controlo de fronteiras.
A par disso, o sindicato reclama, igualmente, o reforço dos meios humanos e técnicos, o fim da precariedade dos mediadores culturais e contesta a transferência de tarefas permanentes da AIMA para os Centros Locais de Apoio à Integração de Migrantes (CLAIM).
A paralisação surge, também, num contexto de instabilidade na direcção da agência, com o STM a defender uma liderança estável e com experiência na área das migrações, depois de não ter obtido resposta ao pedido de reunião dirigido à tutela.
O DIÁRIO procurou falar com alguns imigrantes que se encontravam na Loja do Cidadão, esta manhã, mas nenhum quis prestar declarações à nossa reportagem.