Há “praticamente” ausência de monumentos aos antigos combatentes na Madeira?
As comemorações do 52.º aniversário do Estado-Maior-General das Forças Armadas trouxeram à Madeira as principais chefias militares e incluíram, no sábado, uma cerimónia no Cais 8 do Porto do Funchal. Entre os participantes estiveram antigos combatentes, que integraram o desfile realizado perante as entidades civis e militares.
Foi na sequência dessas comemorações que A. Timóteo lamentou a forma como os antigos combatentes têm sido lembrados na Região, afirmando que “praticamente não há monumentos aos antigos combatentes na Madeira”.
Será assim?
Para verificar a afirmação, procurámos identificar os monumentos existentes na Madeira dedicados aos antigos combatentes, recorrendo ao arquivo do DIÁRIO, a informação da Liga dos Combatentes e a fontes oficiais, nomeadamente autarquias.
Nesta análise, não considerámos como monumentos outras formas de homenagem. Existem na Madeira lápides, placas, talhões em cemitérios, jazigos, murais e uma capela relacionados com antigos combatentes. Embora constituam formas permanentes de preservar a sua memória, não foram incluídos na contagem.
É o caso da lápide existente na sede do Núcleo do Funchal da Liga dos Combatentes, no Beco do Paiol. Foi descerrada em Março de 2016, juntamente com a inauguração de uma capela, destinando-se a homenagear os combatentes que morreram ao serviço do País, independentemente do local ou da época.
Também deixámos de fora desta contagem o Monumento aos Mortos da Grande Guerra, na Avenida do Mar, no Funchal, inaugurado em 1952. Embora seja, evidentemente, um monumento a combatentes, é dedicado aos mortos da I Guerra Mundial e não à realidade que está na origem da afirmação agora verificada.
Feitas estas ressalvas, o levantamento revela uma realidade bastante diferente daquela que é sugerida pela frase.
Em 2019, a própria Liga dos Combatentes inventariava na Madeira monumentos no Funchal, São Vicente, Machico e Porto Moniz. Identificava, além destes, um mural em São Roque do Faial, talhões nos cemitérios das Angústias e de Santana, um jazigo e várias lápides e placas.
Entretanto, o número de monumentos aumentou.
Em Abril de 2022, numa notícia sobre uma homenagem realizada no Porto Moniz, o DIÁRIO referia expressamente que existiam monumentos em honra dos combatentes em cinco concelhos: Funchal, Machico, São Vicente, Porto Moniz e Calheta. O da Calheta tinha sido inaugurado em Junho do ano anterior.
A estes cinco juntaram-se mais dois.
Em Novembro de 2024, foi inaugurado na vila da Ponta do Sol um monumento em honra e memória dos combatentes do concelho, da autoria do escultor Luís Paixão. A homenagem é dirigida aos homens e mulheres daquele concelho que participaram em cenários de guerra e conflito, incluindo a Guerra do Ultramar.
Mais recentemente, em Maio de 2025, foi inaugurado em São Jorge, no concelho de Santana, um monumento aos Combatentes do Ultramar. Neste caso, a iniciativa tem âmbito de freguesia e não concelhio, mas isso não altera o facto de existir um monumento aos antigos combatentes no concelho de Santana.
Chegamos, assim, a sete dos 11 concelhos da Madeira com pelo menos um monumento dedicado aos antigos combatentes: Funchal, São Vicente, Machico, Porto Moniz, Calheta, Ponta do Sol e Santana. Ou seja, este tipo de monumento existe em quase dois terços dos municípios da Região.
Nos quatro restantes – Câmara de Lobos, Ribeira Brava, Santa Cruz e Porto Santo – não encontrámos monumentos equivalentes. Isso não significa que não existam outras formas de homenagem. Na Ribeira Brava, por exemplo, estão identificadas uma lápide à entrada do cemitério e outra no Campanário, esta dedicada a dois militares mortos na Guiné. No Porto Santo, a inexistência de um monumento é particularmente clara: ainda em 2025, a Liga dos Combatentes procurava sensibilizar a Câmara Municipal para a construção de um memorial.
Há, portanto, concelhos onde continua a não existir um monumento desta natureza e a cobertura do território não é completa. Mas isso é substancialmente diferente de dizer que “praticamente não há” monumentos aos antigos combatentes na Madeira. Pelo contrário, foram identificados em 7 dos 11 concelhos, aos quais se juntam diversas outras estruturas de homenagem que nem sequer entraram nesta contagem.
Pelo exposto, a afirmação de A. Timóteo é avaliada como falsa.