DNOTICIAS.PT
País

Francisco Gomes acusa PSD e CDS-PP de "traírem os antigos combatentes"

Foto DR/CH
Foto DR/CH

O deputado madeirense eleito pelo Chega (CH) para o círculo da Madeira, Francisco Gomes, acusa PSD e CDS-PP de terem "traído os antigos combatentes", depois de os dois partidos que sustentam o Governo terem votado contra uma iniciativa do CH destinada a reforçar o rendimento dos antigos combatentes mais vulneráveis.

Em causa está o Projeto de Lei n.º 520/XVII/1.ª, que propunha estabelecer em 300 euros mensais o valor mínimo do Complemento Especial de Pensão, independentemente do tempo de serviço prestado. Segundo foi referido no debate parlamentar, a medida abrangeria cerca de 1.722 antigos combatentes e viúvas, com um impacto estimado de sete milhões de euros.

Para Francisco Gomes, que hoje dá conta desse 'chumbo', a posição assumida pelo PSD e pelo CDS-PP contrasta com o discurso público de reconhecimento dirigido aos antigos combatentes. "PSD e CDS gostam muito dos antigos combatentes para as fotografias, para as cerimónias e para os discursos. Mas quando chega o momento de colocar dinheiro no bolso daqueles que serviram Portugal e que vivem com enormes dificuldades, votam contra. Para mim, isto é uma traição aos antigos combatentes", afirma o deputado.

O parlamentar considera particularmente grave que estejam em causa homens que dedicaram anos das suas vidas ao serviço de Portugal e que, décadas depois, continuam a enfrentar situações de vulnerabilidade económica. Francisco Gomes rejeita também a ideia de que a proposta representaria um esforço financeiro incomportável para o Estado. "Estamos a falar de cerca de sete milhões de euros para dar um mínimo de dignidade a homens que Portugal mandou para a guerra", afirmou, acrescentando críticas às prioridades de despesa pública.

"Para vadios e imigrantes há dinheiro neste país", acusa. "Quando chega a vez dos antigos combatentes, aparecem imediatamente as desculpas e as limitações orçamentais. É uma vergonha", declarou.

Na perspectiva do deputado, o reconhecimento dos antigos combatentes não pode ficar limitado a cerimónias ou declarações públicas, devendo traduzir-se em medidas concretas capazes de melhorar as condições de vida daqueles que se encontram em maior dificuldade.

"Os antigos combatentes não precisam de palmadinhas nas costas. Precisam que Portugal reconheça, na prática, aquilo que fizeram pelo país", afirmou.

Francisco Gomes considera, por isso, que a votação do PSD e do CDS-PP deixou clara, na sua interpretação, a distância entre o reconhecimento político dos antigos combatentes e as opções tomadas quando estão em causa medidas concretas de apoio financeiro. "Quando tiveram a oportunidade de melhorar concretamente a vida dos antigos combatentes mais pobres, escolheram votar contra", concluiu o deputado.