Obrigado Diário de Noticias
No Domingo 11 de Outubro do corrente ano, o Diário de Notícias do Funchal comemorou cento e cinquenta anos de existência e realizou uma gala para comemorar o aniversário e reconhecer o mérito a alguns dos seus funcionários e colaboradores. A mim, coube-me um dos troféus relativo aos colaboradores que escrevem artigos de Opinião com regularidade. Apesar de convidado para o jantar de gala não pude comparecer por uma questão de saúde, mas na Terça Feira Seguinte desloquei-me à sede do DN e recebi o respectivo prémio. Queria agradecer ao DN que reconheceu a minha colaboração na de longa data.
A minha colaboração com o Diário de Notícias vem dos anos sessenta com artigos avulso, de vez em quando, normalmente sobre agricultura, a minha área profissional e eventualmente sobre outros temas. Recordo-me de ter escrito um artigo sobre pecuária em que fui convidado pelo então Director do DN Dr. Alberto Araújo para me deslocar á redacção, então na velha Rua da Alfândega, Com a sua habitual delicadeza pediu-me se podia alterar uma frase. O que ele sugeriu não alterou em nada o sentido do artigo e por isso aceitei. Ele tinha receio que não passasse na Censura, porque nesse tempo havia censura prévia e nada se podia dizer contra o regime. Admirei a gentileza do Director. Algum tempo antes escrevi um artigo para o JM, numa página agrícola. Bem, aí o tratamento foi diferente. O seu director sem me dizer nada deitou o artigo para o lixo. Apesar de estarmos em pleno fascismo, vejam as atitudes completamente diferentes dos dois directores com a agravante do responsável do JM ser um padre, o dr. Agostinho Gomes, Vigario Geral da Diocese e professor no Liceu Jaime Moniz, que também fora deputado da Nação juntamente com o Director do DN. Educação recorda-se para sempre, apesar do regime.
Curiosamente, depois do 25 de Abril uma das vezes que entreguei um artigo, na altura escrito à mão, o jornalista que o recebeu, talvez porque não gostava de mim porque eu não era do PPD fez o mesmo. Como o artigo nunca foi publicado procurei saber o que se tinha passado, pois foi a única vez que um artigo meu tinha desaparecido misteriosamente, perguntei a um outro jornalista que me informou do caminho que percorreu das mãos do colega que o recebeu, directamente para o lixo. Esse jornalista mais tarde foi director da RTP/Madeira.
Quem gosta de escrever está sujeito a estas situações, mas a vida continuou e os meus artigos continuaram a sair no DN. Recordo que no fim do ano de 1970 fui até Canárias, Ilhas de Grã Canaria e Tenerife, estudar com colegas canarianos, como era feita a aplicação de plásticos na agricultura, nomeadamente nas estufas. Chegado à Madeira o DN pediu-me uma entrevista, que segundo o próprio DN foi muito lida e então pediram-me que escrevesse uns artigos sobre esse tema. Publiquei 43 artigos diferentes, um em cada semana, à Quarta Feira, se a memória não me falha. Houve muitos leitores do DN que colocaram numas capas todos os meus artigos. Curiosamente ainda há relativamente pouco tempo encontrei uma pessoa que tinha agricultura que me disse que ainda tinha em casa esse conjunto de artigos, que ele próprio designava por “ bíblia”.
Escrevi muito sobre bananeiras, cana do açúcar experimentando outras técnicas, vinha, pomares subtropicais e de climas temperados, floricultura e horticultura. Fiz ensaios diversos e pretendi estar sempre actualizado. Durante toda a minha vida profissional era abordado por pessoas na rua e que me reconheciam faziam-me perguntas sobre os mais diferentes aspectos da nossa agricultura. Sempre me senti bem transmitindo conhecimentos e ajudei milhares de agricultores a melhorarem as suas produções.
Termino, como comecei, agradecendo, mais uma vez ao Diário de Notícias o reconhecimento de parte do meu percurso de vida. O meu muito obrigado.