Ventura defende que Portugal deve esperar pela verificação dos resultados
O líder do Chega manifestou hoje o seu descontentamento com o resultado das eleições presidenciais no Brasil e defendeu que Portugal deve esperar pela verificação dos resultados antes de reconhecer a vitória de Lula da Silva.
Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, André Ventura, disse ser "evidente que o Chega não ficou feliz, nem fica, com uma vitória de alguém que considera patrocinar a corrupção ao mais alto nível, mas que também tem provocado, ao nível da língua portuguesa, das democracias de língua portuguesa, uma enorme desestruturação, uma enorme destruição do património comum".
"[Lula da Silva] é um símbolo de tudo o que nós não queremos nas nossas democracias", criticou.
O presidente do Chega considerou que "Portugal deve aguardar a verificação judicial do processo eleitoral no Brasil até reconhecer, ou não reconhecer, ou avaliar o que se passou nas eleições brasileiras".
"Se acontecesse em Portugal que o horário das urnas fosse prorrogado ou diminuído, ou alterado, mas depois só abrissem urnas numa certa zona do país e não abrissem nas outras nós estaríamos a colocar em causa a legitimidade do processo. E acho que é assim que deve ser em democracia. Deve-se colocar em causa, pedir que seja legítimo e pedir que seja bem feito, independentemente de quem ganhe", argumentou.
André Ventura afirmou que "vários países ocidentais ainda não reconheceram a eleição brasileira de Lula da Silva" e "Portugal, como país onde mais brasileiros estão no exterior, ou segundo país onde mais brasileiros estão no exterior, tem uma especial responsabilidade".
Lula da Silva venceu com cerca de 51,7% a segunda volta das eleições presidenciais do Brasil, contra Flávio Bolsonaro, e irá exercer o seu quarto mandato presidencial a partir do início do próximo ano.
Na segunda volta, disputada no domingo, o antigo operário e sindicalista, do Partido dos Trabalhadores (PT), conseguiu reverter, de forma inédita, a desvantagem da primeira volta, em que ficou em segundo lugar, atrás do filho de Jair Bolsonaro.
Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), disse que não reconhecia a derrota e que iria pedir a anulação das eleições, criticando a prorrogação do prazo de fecho das urnas por duas horas, decidida na sequência da denúncia de problemas nos transportes públicos que prejudicaram a mobilidade de eleitores.
Lula da Silva, que fará 81 anos na terça-feira, está a terminar o seu terceiro mandato presidencial, para o qual foi eleito em 2022, quando derrotou o então Presidente em exercício Jair Bolsonaro - que atualmente cumpre prisão domiciliária por tentativa de golpe de Estado.
Os dois mandatos primeiros mandatos de Lula como Presidente da República do Brasil foram entre 2003 e 2011.