Albuquerque já tinha prometido ampliar o Lar do Porto Moniz?
Miguel Albuquerque anunciou, na passada quarta-feira, a intenção de ampliar o Lar do Porto Moniz em mais 20 camas. A proposta prevê a construção de um edifício num terreno contíguo, que ainda terá de ser adquirido, com financiamento da Segurança Social da Madeira. Mas será a primeira vez que o presidente do Governo Regional assume publicamente a intenção de aumentar a capacidade desta instituição?
A resposta obriga a recuar a 10 de Fevereiro de 2025. Numa visita às obras de requalificação do Lar, Albuquerque foi confrontado com um pedido da administradora judicial, Luísa Pessanha, para que a instituição pudesse acolher mais idosos.
Na resposta, o governante não se limitou a reconhecer a necessidade. Avançou mesmo com uma solução e quantificou a ampliação pretendida.
“Está sobre a mesa a possibilidade de aproveitarmos a estrutura para ampliar a sua capacidade, ter mais camas aqui nesta zona, dando seguimento, de facto, a uma necessidade que é imperativa”, afirmou.
Albuquerque foi ainda mais longe, admitindo recorrer a fundos comunitários ou a verbas do próprio Governo Regional.
“A ideia seria ver no próximo quadro, não sei se no 2030 ou mesmo através de verbas do Governo, tentarmos enquadrar aqui uma ampliação de 10 a 15 camas no lar, aproveitando a infraestrutura que existe”, declarou na altura.
As palavras foram proferidas quando decorria uma intervenção financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Apesar da requalificação, a obra acabou por não aumentar a capacidade residencial da instituição, mantendo as 36 vagas.
Agora, em outubro de 2026, o presidente do Governo voltou a colocar a ampliação na agenda, desta vez com uma meta superior. Pretende criar mais 20 camas, aproveitando os serviços já existentes, nomeadamente a cozinha, lavandaria e estruturas técnicas.
A solução anunciada também é diferente. Em vez de uma ampliação integrada na infraestrutura existente, prevê-se a construção de um novo edifício, ligado ao atual Lar, num terreno anexo.
A aquisição desse terreno ainda não foi concretizada e também não foi apresentado um calendário para a execução da obra.
O que revela a comparação?
Em Fevereiro de 2025, Albuquerque já tinha manifestado publicamente a intenção de ampliar o Lar, apontando para 10 a 15 camas adicionais e possíveis fontes de financiamento. Em Outubro de 2026, elevou a ambição para mais 20 camas e apresentou uma nova solução construtiva.
A diferença está no grau de concretização do anúncio. Em ambos os momentos, a ampliação foi apresentada como uma intenção dependente de decisões futuras.
A proposta de aumentar a capacidade do Lar do Porto Moniz não nasceu esta semana. Já em Fevereiro de 2025, Miguel Albuquerque falava numa ampliação de 10 a 15 camas. Passados 20 meses, a capacidade mantém-se inalterada e o novo projecto, agora mais ambicioso, continua por concretizar.