PS exige explicações sobre o preço do Hospital e falta de financiamento da República
A presidente do PS-Madeira voltou a insistir, hoje, na necessidade de se divulgar os cálculos que levaram a que a terceira fase do novo hospital da Madeira esteja orçada em 415 milhões de euros e criticou o facto de o chefe do Executivo, nas negociações que manteve com o primeiro-ministro, não ter conseguido garantir o financiamento de 50% do valor actual da obra por parte do Estado.
Célia Pessegueiro falou à margem de uma reunião com a Secção Regional da Ordem dos Engenheiros Técnicos, tornando a exigir que o Governo explique, de forma detalhada, o valor da obra lançada a concurso. “Queremos ter o mapa de quantidades dos trabalhos a executar e o preço detalhado, até para podermos comparar o valor apurado agora com o preço lançado inicialmente”, adiantou a líder socialista, Célia Pessegueiro quis recordar que em Agosto do ano passado, foi lançado um concurso no valor de 265 milhões de euros (quando já havia sido apurado um valor superior, na ordem de 320 milhões de euros), e, apenas 10 meses depois, foi lançado um procedimento com o preço-base de 415 milhões.
Célia Pessegueiro expressou também a sua preocupação com o facto de, na proposta de Orçamento do Estado para 2027, não estar garantido o financiamento de 50% da obra. "Isto porque o documento remete para a portaria de 2018, que está desactualizada e não reflecte o aumento dos valores entretanto verificado para esta terceira fase da obra", aponta.
A líder socialista reafirma a urgência de serem esclarecidos os valores apurados, mas aponta igualmente que há que assacar responsabilidades políticas por esta situação e pelo facto de o cofinanciamento de 50% do Estado não estar assegurado.
Como afirmou, esta situação acaba por ter consequências a dois níveis. Por um lado, continua a levar ao sucessivo adiamento desta obra fundamental para a prestação de cuidados de saúde aos madeirenses e, por outro lado, dado que a Região terá também de suportar este valor acrescido, poderá comprometer outros investimentos previstos. De acordo com Célia Pessegueiro, as responsabilidades pelo atraso e consequente aumento do valor do novo hospital têm de ser assacadas única e exclusivamente ao Governo do PSD na Madeira, que “não conseguiu o financiamento por parte do actual primeiro-ministro Luís Montenegro, nem foi ainda capaz de dizer onde é que vai arranjar o resto do dinheiro para pagar essa obra”.
Na reunião foi igualmente abordada a questão da construção em altura. De acordo com aquilo que foi transmitido aos socialistas, esta não é uma solução tecnicamente impossível, no entanto, ao contrário das justificações inicialmente apontadas, não fará baixar os custos, até porque implica outras exigências técnicas.
Outro dos assuntos em cima da mesa teve a ver com a carreira dos engenheiros técnicos, concretamente aqueles que, para acederem à função pública, são tratados apenas como técnicos superiores. Uma situação que carece de ser alterada, tendo em conta as responsabilidades assumidas por estes profissionais.