Detido segundo menor ligado a tiroteio em escola do Sudeste de França
A polícia francesa deteve para interrogatório um segundo menor, suspeito de estar em contacto com o autor de um tiroteio que, na segunda-feira, feriu dois professores numa escola próxima de Marselha, no sudeste de França.
A notícia foi avançada hoje pelos meios de comunicação locais que revelam que o adolescente, de 13 anos, foi detido na noite de quarta-feira na sua residência, no norte do país, depois de os investigadores terem constatado que tinha trocado mensagens na rede social TikTok com o autor do tiroteio, de 14 anos, que está a ser investigado por ligações ao grupo True Crime Community (TCC).
O procurador nacional antiterrorista de França, Olivier Christen, considerou que a ameaça destes grupos "é motivo de preocupação não só em França, mas em muitos países da União Europeia", porque, embora por enquanto haja "um número relativamente pequeno de casos (...) estes estão a aumentar".
Em declarações à rádio France Info, o procurador afirmou que o autor dos disparos reconheceu, após a detenção, ter sido influenciado por estes grupos, negou intenção de matar, mas afirmou ter cometido um ato por vingança, após ter sido vítima de professores e alunos.
O jovem, que se encontra em prisão preventiva, entrou no estabelecimento de ensino com uma espingarda de caça escondida na capa de uma guitarra e disparou contra o diretor e uma professora, ferindo-os nos membros inferiores, sem que corram perigo de vida.
Na segunda-feira, tinha sido igualmente detido o pai do adolescente autor dos disparos depois de a polícia encontrar um arsenal de armas na sua casa.
O tiroteio não foi relacionado com os protestos estudantis de decorrem, há mais de duas semanas, em França e que têm levado ao encerramento de escolas em todo o país.
Várias instituições de ensino francesas estão hoje novamente encerradas e bloqueadas pelos alunos, incluindo a prestigiada Escola de Comércio de Paris (HEC), a poucas horas de uma nova reunião do Ministério da Educação com as organizações estudantis, a terceira desde o início dos protestos.
O Ministério da Educação, que nos últimos dias constatou uma diminuição do número de escolas bloqueadas, não divulgou os números relativos aos encerramentos de hoje.
O encerramento da HEC é simbólico, por se tratar de uma das universidades mais elitistas do país, e os organizadores do bloqueio indicaram que, com esta ação, pretendem mostrar a sua solidariedade com o movimento estudantil, a dois dias de uma grande jornada de manifestações marcada para sábado.
No total, os organizadores contabilizam já mais de mil manifestações em todo o país para esse dia, que ocorre no início da quinzena de férias escolares do feriado de Todos os Santos.