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Madeira

Faltam 37 médicos do trabalho na Região

Madeira dispõe de apenas 10 especialistas para uma população activa de 140 mil pessoas. Associação nacional alerta para a necessidade de reforçar a formação

Mário Freitas, presidente da ANAMET. Foto Health News
Mário Freitas, presidente da ANAMET. Foto Health News

A Região Autónoma da Madeira necessita de mais 37 médicos do trabalho para assegurar o acompanhamento de uma população activa estimada em 140 mil pessoas. Actualmente, existem apenas 10 especialistas, quando, considerando o rácio de referência de um médico por cada três mil trabalhadores, seriam necessários 47. O défice aproxima-se dos 79%.

Os números foram avançados por Mário Freitas, presidente da Associação Nacional dos Médicos de Medicina do Trabalho (ANAMET), que se encontra na Madeira para participar no primeiro congresso nacional da organização.

Apesar da escassez, o responsável reconhece uma evolução positiva. Há dois anos, a Região contava com apenas três especialistas, número que praticamente triplicou graças a um esforço desenvolvido em articulação com a Ordem dos Médicos.

“A situação na Madeira está muito melhor agora do que estava há dois anos”, reconheceu, embora considere insuficiente a resposta às necessidades.

Um dos principais obstáculos reside na formação de novos especialistas, excessivamente dependente dos hospitais. Mário Freitas defende que esta possa decorrer também fora das unidades hospitalares, permitindo aumentar a capacidade formativa da Madeira.

O dirigente alertou ainda para o envelhecimento da especialidade, cuja média etária rondará os 69 anos, e identificou a saúde mental como um dos maiores desafios da medicina do trabalho, particularmente devido ao aumento das situações de ansiedade, depressão e burnout.

“A medicina do trabalho não existe para ninguém que não seja a defesa dos trabalhadores”, sublinhou, defendendo maior investimento público na prevenção das doenças profissionais.