Coreia do Norte anuncia testes de lançamento de mísseis de cruzeiro
A Coreia do Norte realizou hoje testes de lançamento de dois tipos de mísseis de cruzeiro estratégicos, anunciou a agência oficial KCNA.
Os mísseis foram disparados na quarta-feira em direção ao Mar do Japão (leste), sem "qualquer impacto negativo na segurança dos países vizinhos", acrescentou a KCNA.
Os militares lançaram dois tipos destes mísseis, de tipo estratégico --- passíveis de transportar ogivas nucleares --- e que podem ser lançados de submarinos, segundo a imprensa oficial do regime comunista. Não foi especificado se foram lançados a partir de um submarino ou de uma plataforma de testes subaquática.
Os testes visam avaliar a prontidão dos sistemas de combate submarino do país, melhorar a capacidade da Marinha para realizar missões estratégicas e demonstrar a fiabilidade da sua capacidade de dissuasão nuclear, adiantou a imprensa oficial do regime de Kim Jong Un.
As forças armadas da Coreia do Sul não comentaram imediatamente os testes.
O Estado-Maior Conjunto (JCS, na sigla em inglês) da Coreia do Sul indicou ter detetado na segunda-feira o lançamento de vários mísseis balísticos a partir da zona de Pyongyang, que percorreram mais de 900 quilómetros.
Já o Ministério da Defesa japonês afirmou na rede social X ter detetado a queda do projétil.
O anterior lançamento de um míssil balístico pela Coreia do Norte ocorreu em 03 de outubro, quando o país disparou um projétil em direção ao mar do Japão - denominado mar do Leste nas duas Coreias - que caiu fora da Zona Económica Exclusiva do arquipélago, sem que fossem registados danos.
Por outro lado, na quinta-feira, Seul afirmou ter realizado com sucesso um teste do primeiro míssil hipersónico do país, que se encontra em fase de investigação e desenvolvimento.
Seul e Pyongyang, tecnicamente ainda em guerra, viram-se envolvidas numa escalada de tensão na sequência da explosão de duas minas, em 21 de setembro, na Zona Desmilitarizada entre as duas Coreias, que deixou dois soldados sul-coreanos gravemente feridos, além de outro soldado com ferimentos ligeiros.
A Coreia do Sul acusou Pyongyang de ter colocado os explosivos e exigiu um pedido de desculpas por parte do regime hermético, além de ter realizado, há uma semana, uma operação de remoção de minas na zona, enquanto as autoridades norte-coreanas negaram qualquer envolvimento e acusaram Seul de mentir para justificar provocações na fronteira.
Os mais recentes lançamentos deram continuidade a uma recente série de demonstrações de armamento, incluindo testes de vários sistemas de mísseis hipertónicos --- visando avançar no desenvolvimento de um arsenal concebido para superar os sistemas de defesa antimíssil da Coreia do Sul e do Japão, segundo o regime comunista.
Nas últimas semanas, a Coreia do Norte também realizou exercícios com munições reais e incorporou um novo navio de guerra na sua frota, enquanto o líder Kim Jong Un continua a exibir o seu programa de armas nucleares e a rejeitar as ofertas dos Estados Unidos e da Coreia do Sul para retomar as paralisadas negociações de paz.
Nos últimos anos, Kim interrompeu toda a diplomacia e cooperação com a Coreia do Sul, classificando o país como um inimigo permanente no meio de um impasse de longa data nas negociações nucleares mais amplas com Washington.
Até à data, rejeitou os apelos do Presidente norte-americano, Donald Trump, para retomar a diplomacia, que tinha fracassado em 2019. O regime exigiu que Washington abandonasse a política "hostil" em relação a Pyongyang e deixasse de exigir a desnuclearização da Coreia do Norte como pré-condição para as negociações.