Estudo testa programas psicológicos para reduzir preconceitos contra minorias
Equipa liderada pela Universidade de Coimbra está a desenvolver o modelo
Uma equipa de investigação liderada pela Universidade de Coimbra (UC) está a desenvolver e a testar dois programas de intervenção psicológica destinados a perceber se a promoção da empatia e da compaixão pode contribuir para reduzir preconceitos contra grupos socialmente minoritários.
O projecto "ProSocial-Living: Um estudo psiconeurofisiológico sobre o papel da empatia e da compaixão em relação a indivíduos socialmente minoritários" pretende estudar as atitudes perante minorias religiosas, étnico-raciais e sexuais e identificar possíveis alterações psicológicas e psiconeurofisiológicas associadas à redução do preconceito.
A investigação é coordenada por Sérgio Andrade Carvalho, investigador do Centro de Investigação em Neuropsicologia e Intervenção Cognitivo-Comportamental (CINEICC) e da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da UC (FPCEUC).
"Identificar de que forma intervenções baseadas em compaixão e empatia podem alterar respostas automáticas de viés preconceituoso e fortalecer comportamentos pró-sociais" é um dos principais objectivos do projecto, explica o investigador.
Para isso, foram criados dois programas digitais distintos: um centrado na promoção da empatia e outro na promoção da compaixão. A equipa pretende perceber não apenas se estas intervenções produzem alterações nas atitudes, mas também os mecanismos através dos quais essas mudanças poderão ocorrer.
Os participantes serão avaliados antes e depois da realização dos programas, através de questionários destinados a medir níveis de empatia e compaixão, atitudes perante grupos socialmente minoritários e outros processos psicológicos. Serão ainda recolhidos indicadores fisiológicos, como a variabilidade da frequência cardíaca, e indicadores neuroendócrinos através de amostras de saliva, nomeadamente o cortisol, associado à resposta ao stress.
O recrutamento de participantes deverá começar em breve. Podem participar pessoas adultas, a partir dos 18 anos, interessadas em integrar o estudo, através do endereço de e-mail [email protected].
"Este projecto tem uma abordagem ao preconceito como um fenómeno complexo, que não se esgota naquilo que as pessoas pensam ou dizem: procuramos estudar conjuntamente as suas dimensões psicológica, social e psicofisiológica", explica Sérgio Andrade Carvalho.
A equipa pretende que os resultados possam contribuir, no futuro, para o desenvolvimento de programas educativos, iniciativas de prevenção da discriminação e medidas destinadas a promover a inclusão e a coesão social.
O investigador sublinha, contudo, que o estudo não pretende abranger todas as causas do preconceito. "Sendo o preconceito um fenómeno multideterminado, o nosso estudo não pretende abarcar todas as determinantes do fenómeno, mas apenas a sua dimensão biopsicossocial", esclarece, acrescentando que aspectos sociopolíticos como a polarização normativa, a socialização política ou a identidade social ideológica não serão analisados.
Financiado pela Fundação BIAL, o projecto reúne investigadores de diferentes instituições. Na Universidade de Coimbra participam elementos do CINEICC, da FPCEUC, do Centro de Neurociências e Biologia Celular e do Centro de Estudos Clássicos e Humanísticos.
Integram ainda a equipa investigadores do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa, da Universidade John Cabot, em Roma, da Universidade Deakin, na Austrália, da Universidade Sapienza de Roma e da Universidade do Luxemburgo.