Madeira reforçou meios de prevenção há oito anos para enfrentar o furacão Leslie
A Madeira preparava-se, há precisamente oito anos, para enfrentar os efeitos da passagem do furacão Leslie, numa altura em que as autoridades regionais e municipais tinham activado medidas preventivas para reduzir os riscos associados ao agravamento das condições meteorológicas.
O mau tempo previsto para aquele fim-de-semana levou ao encerramento de acessos, ao cancelamento de eventos e ao reforço dos meios de socorro, numa operação destinada a proteger a população.
Entre as medidas adoptadas esteve o encerramento de várias estradas regionais.
As previsões meteorológicas apontavam também para um agravamento das condições do vento e da agitação marítima a partir da manhã de sábado, 13 de Outubro. Na altura, o director regional do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), Victor Prior, considerava que ainda não existiam motivos para alarme, mas defendia um acompanhamento permanente da situação, uma vez que uma ligeira alteração na trajectória do centro da tempestade poderia provocar condições mais severas.
Os ventos previstos nas regiões costeiras poderiam atingir velocidades entre os 70 e os 80 quilómetros por hora, enquanto nas zonas montanhosas eram esperadas rajadas entre os 110 e os 130 quilómetros por hora. Na agitação marítima, mantinha-se o aviso laranja, com ondas que poderiam chegar aos 10 metros de altura. Embora não fossem antecipados valores de precipitação particularmente elevados, não se excluía a ocorrência pontual de aguaceiros fortes devido à instabilidade atmosférica.
A aproximação do Leslie motivou também alertas da Marinha, que aconselhou a população a evitar passeios junto ao litoral e desaconselhou a pesca à cana nas proximidades das arribas, sobretudo durante os períodos de maior intensidade do vento e da ondulação. O comandante da Zona Marítima da Madeira, Paulo Silva Ribeiro, alertou que, em condições extremas, o mar poderia alcançar zonas aparentemente seguras, apelando à adoção de comportamentos preventivos e ao reforço da amarração das embarcações.
As ligações marítimas entre a Madeira e o Porto Santo também foram afectadas. Devido às previsões de agravamento do estado do mar, foram canceladas as viagens do navio Lobo Marinho previstas para sábado, nomeadamente a partida do Funchal, às 8 horas, e o regresso do Porto Santo, às 18 horas.
A Polícia de Segurança Pública (PSP) encontrava-se igualmente em alerta, recomendando aos condutores que evitassem circular nas estradas junto à orla costeira e limitassem as deslocações ao estritamente necessário. As autoridades apelaram ainda a uma condução prudente, com velocidade ajustada à visibilidade e às condições da estrada.
O alerta estendeu-se também aos visitantes estrangeiros. O Governo do Reino Unido aconselhou os cidadãos britânicos presentes na Região a acompanharem as actualizações meteorológicas e a cumprirem as instruções das autoridades locais.
Com os dispositivos de prevenção activados nos vários municípios, a prioridade passava por minimizar os riscos associados ao vento forte e à agitação marítima. O episódio ficou marcado pelo reforço dos meios de protecção civil, pelo encerramento preventivo de espaços públicos e pela mobilização das autoridades perante uma situação meteorológica que exigia vigilância permanente.