Navios de guerra marroquinos entraram em águas espanholas no final de Julho
Navios de guerra marroquinos entraram em águas espanholas, ao largo de Ceuta, em 30 e 31 de julho, coincidindo com a entrada de mais de 70.000 pessoas na cidade, disse hoje o primeiro-ministro de Espanha.
Pedro Sánchez confirmou a jornalistas espanhóis, numa "conversa informal" à margem das celebrações hoje da Festa Nacional de Espanha, uma notícia que havia avançado de manhã o jornal El Pais, segundo a qual as Forças Armadas espanholas enviaram uma fragata para Ceuta para travar as incursões da Marinha marroquina em águas sob soberania espanhola no final de julho.
Segundo a agência EFE, Sánchez não explicou hoje os motivos pelos quais os navios de Marrocos entraram em água espanholas naqueles dias e sublinhou terem sido "muito intensos e muito difíceis".
O líder do Governo garantiu que houve comunicação de alto nível entre as Forças Armadas dos dois países para resolver o episódio e a tensão que gerou e, segundo o El Pais, "minimizou o episódio".
"Somos vizinhos geográficos. Este tipo de factos acontecem. Efetivamente, aconteceu, mas pode resolver-se, houve esse diálogo ao máximo nível e resolveu-se. É uma questão de relação entre as duas Armadas", disse Sánchez, citado pelo El Pais.
"Foram dias muito intensos, evidentemente. A comunicação foi muito fluida e não voltou a suceder", acrescentou.
Fontes citadas na notícia de hoje de manhã do El Pais disseram que os navios marroquinos fizeram uma "violação intencional e repetida" das águas sob soberania espanhola e que aquelas manobras se prolongaram pelos primeiros dias de agosto.
O ocorrido em Ceuta em 30 e 31 de julho e a crise no terreno que desencadeou - com milhares de pessoas a continuarem ilegalmente na cidade, um aumento da tensão entre a população e os migrantes e relatos de alguns episódios de violência - têm gerado críticas generalizadas, da esquerda e da direita, ao Governo de Sánchez.
O executivo tem sido acusado de uma resposta lenta à situação no terreno, com milhares de pessoas a dormirem nas ruas e praias de Ceuta até há poucos dias, e de subserviência a Marrocos.
Sobre o ocorrido em 30 e 31 de julho, Pedro Sánchez tem dito não existirem, até agora, provas de uma ação "desenhada ou executada" por Marrocos, mas reconheceu pela primeira vez em 03 de setembro, no parlamento, que existem "dúvidas, indícios e perguntas que estão no ar" sobre o papel e a atuação das autoridades de Rabat.
Reconheceu também que "é evidente que depois do ocorrido", a cooperação com Marrocos, país que tem um "papel chave na gestão dos fluxos migratórios" para Espanha, "tem de ser diferente" e têm de ser revistos os "mecanismos de coordenação e alerta" para "construir garantias adicionais".
Dias mais tarde, revelou que o Governo espanhol pediu "ações e explicações" a Marrocos pela falta de controlo da fronteira com Ceuta em 30 de julho.