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Comunidades Madeira

Albuquerque diz que situação dos madeirenses é "calma" mas que receiam saques e violência

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O presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque, afirmou, esta noite, que a comunidade de emigrantes madeirenses que se encontra na Venezuela está "calma" mas manifesta "alguma apreensão e expectativa relativamente àquilo que se pode passar", sendo que "o grande receio" é a ocorrência de "saques se houver quebras nas cadeias de abastecimento" ou a violência de grupos ligados ao regime bolivariano (os chamados 'coletivos').

O executivo madeirense não tem conhecimento de feridos ou mortos entre membros da comunidade madeirense, nem "qualquer dano material relevante" no respectivo património, segundo referiu Albuquerque, numa conferência de imprensa realizada nas instalações da Direcção Regional das Comunidades, no Palácio do Governo.

Em relação à intervenção militar dos EUA naquele país, Albuquerque explicou que tem "sempre mantido uma postura de grande responsabilidade, tal como o Estado Português" na abordagem da situação na Venezuela, pois a existência de uma imensa comunidade de emigrantes obriga à manutenção de "um diálogo institucional com o poder instituído" para poder resolver os assuntos pendentes. Ainda assim, admitiu que deseja que ocorra "uma transição de regime controlada" naquele país, com "instituição de uma Democracia plena", para "não cair numa anarquia". Sobre as declarações de Donald Trump, que anunciou que os EUA vão passar a gerir a Venezuela, Albuquerque disse que os emigrantes madeirenses "querem é que o país tenha uma plena Democracia", lembrando que o Estado Português não reconheceu os resultados da última eleição e a legitimidade do regime deposto. "O que as pessoas querem é que a Venezuela, que é um país riquíssimo, volte a ter crescimento económico, prosperidade e emprego e que se combata uma situação de grande precariedade económica, com hiperinflação", bem como que "volte a ser um país integrado nos mercados mundiais, com uma Democracia plena (...) e com normalidade democrática", descreveu Albuquerque.

O chefe do executivo regional disse que "a comunidade madeirense nunca se meteu muito na política" da Venezuela, apesar de haver dois membros da comunidade que estão presos por razões políticas. Frisou ainda que os nossos emigrantes também sofrem com a "situação muito complicada" da economia venezuelana, tendo havido já necessidade do Centro das Comunidades ter de ajudar alguma população mais envelhecida. Por outro lado, nos últimos anos, cerca de 11 mil pessoas vieram da Venezuela para viver na Madeira.

Albuquerque descreveu que o Governo Regional está a acompanhar a situação na Venezuela desde as primeiras horas da manhã, pois está em causa a maior comunidade de emigrantes madeirenses. Foram estabelecidos contactos com os cinco representantes do Conselho das Comunidades, com o cônsul e o embaixador de Portugal na Venezuela, bem como com representantes nas cidades de Barquisimeto, Valencia, Maracay, La Guaira, Caracas e ilha de Margarita. Nestas localidades "um grande número de supermercados estiveram abertos, porque havia um problema de abastecimento", sendo que alguns estabelecimentos não abriram devido à falta de transportes públicos. Albuquerque assumiu que também falou sobre a crise na Venezuela com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, e com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.