Nas ruas, 'Chavistas' exigem aos EUA devolução de Maduro
Apoiantes do 'chavismo' saíram hoje às ruas do centro de Caracas para exigir que o Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, seja "devolvido", após o líder norte-americano, Donald Trump, ter anunciado a captura do governante sul-americano.
"Estamos nas ruas a pedir uma prova de vida, que nos devolvam o nosso Presidente, que foi raptado", disse a presidente da câmara de Caracas e almirante, Carmen Meléndez, em declarações ao canal estatal Venezolana de Televisión (VTV), classificando "hostil" o ataque com mísseis ocorrido durante a madrugada contra a capital venezuelana e outras zonas do país.
Envergando um uniforme militar verde-azeitona, Meléndez encontrava-se acompanhada por um grupo de pessoas que transportava imagens e quadros com o rosto de Maduro e do falecido Presidente Hugo Chávez (1999-2013).
Segundo a autarca, o 'chavismo' não se retirará das ruas enquanto não for conhecido o paradeiro do chefe de Estado.
"Queremos Maduro", gritavam os 'chavistas' concentrados em áreas próximas do palácio presidencial de Miraflores.
Por seu lado, o chefe do Governo do Distrito da Capital, Nahúm Fernández, afirmou que haverá mobilizações em todo o país para exigir uma "prova de vida" do Presidente venezuelano e o respeito pelos "direitos humanos".
Várias detonações, acompanhadas pelo sobrevoo de aeronaves, foram ouvidas durante a madrugada de hoje em Caracas e em estados vizinhos como La Guaira, Miranda e Aragua, no norte do país.
Trump informou, numa mensagem publicada na rede social Truth Social, que os Estados Unidos realizaram "com êxito um ataque em grande escala contra a Venezuela" e anunciou a captura de Maduro juntamente com a sua mulher, Cilia Flores.
Segundo Trump, ambos foram retirados "por via aérea do país".
A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, indicou que as autoridades desconhecem o paradeiro de Maduro e Flores, enquanto o procurador-geral, Tarek William Saab, denunciou o seu "rapto".
Em Caracas, a agência noticiosa espanhola EFE reporta a existência, de manhã, de ruas vazias e longas filas de pessoas à porta dos poucos supermercados abertos.
"Tenho medo de que haja uma explosão social e que voltemos ao que havia antes, que haja escassez. Quando era jovem podia fazer filas para comprar comida, agora já não posso", disse uma moradora do município de Chacao, pedindo anonimato, enquanto esperava pela abertura de um dos supermercados da zona.
Ao seu lado, outra mulher -- de um grupo de quatro -- disse que procurava comprar alimentos para fazer reservas.
"Em casa compramos apenas o necessário porque tudo está muito caro e agora não temos comida", afirmou à EFE. A maioria dos estabelecimentos comerciais desta zona residencial e comercial encontrava-se encerrada.
As estações do Metro de Caracas, principal sistema de transporte da cidade, não estavam em funcionamento. Também não circulavam autocarros e havia muito pouco trânsito nas ruas.
Veículos policiais e algumas viaturas da Direção de Contra-Inteligência Militar (DGCIM) circulavam pela zona.
Num dos supermercados, várias pessoas aproximaram-se para perguntar a hora de abertura. No entanto, as mulheres disseram ter pouca esperança de que os trabalhadores conseguissem chegar.
"Tenho a minha mãe ali em cima, noutro supermercado. Viemos comprar comida porque nunca se sabe se haverá outro ataque", disse à EFE uma jovem à porta do mesmo estabelecimento.
O único supermercado aberto naquela zona do leste da capital tinha à entrada uma fila de cerca de 50 pessoas. Só deixavam entrar uma de cada vez, para evitar multidões no interior do estabelecimento. A mesma situação repetiu-se em Altamira, uma zona da cidade tradicionalmente de tendência opositora e contígua à base aérea.
Na Plaza Francia, um grupo de sete mulheres esperava encontrar um táxi para regressar a casa. Na noite de sexta-feira tinham apanhado um autocarro para viajar até às praias do estado de Falcón (oeste), mas, ao tomarem conhecimento do ataque durante a madrugada, o transporte regressou à capital e deixou-as na praça.
Em Los Palos Grandes, havia também cerca de uma centena de pessoas em fila à porta de um supermercado, onde igualmente só eram admitidos pequenos grupos para evitar aglomerações, e cerca de 20 pessoas e veículos em fila numa farmácia. Os restantes estabelecimentos comerciais, incluindo as estações de combustível, encontravam-se encerrados.