Orquestra Clássica da Madeira celebra 62.º aniversário com casa cheia
Fotografias de Afonso Nunes, colaborador da ANSA/OCM, ilustram o espectáculo
O Centro de Congressos da Madeira registou casa cheia este sábado, 24 de Janeiro, para assistir ao concerto de celebração do 62.º aniversário da Orquestra Clássica da Madeira. Neste espectáculo, a composição foi, pela primeira vez, dirigida pelo maestro convidado Benjamin Hochman e contou com a participação especial da violinista Alissa Margulis como solista.
Ao DIÁRIO, o director artístico da Orquestra, Norberto Gomes, destaca que “mais uma vez, a Orquestra Clássica da Madeira honrou o seu compromisso de celebrar a beleza da música e da cultura num registo especial com belíssimas páginas da literatura musical sinfónica”.
Norberto Gomes frisa que Benjamin Hochman e Alissa Margulis “encheram o espaço com sonoridades e nuances que tocaram a alma de todos os que esgotaram a sala do Centro de Congressos da Madeira”.
Na primeira parte foi apresentada a 4.ª Sinfonia de Beethoven, considerada “uma interpretação sólida e compacta”. A segunda parte incluiu o concerto de Brahms para violino e orquestra, descrito como “exigente e belíssimo”, com a solista Alissa Margulis a demonstrar “uma sólida formação enquanto instrumentista, aliando a técnica e gosto musical ao serviço da música, criando momentos magistrais”. O público respondeu com admiração, terminando a interpretação com uma ovação de pé.
É sempre com uma postura de sentido de pertença e com uma forte ligação e respeito pela música que a Orquestra Clássica da Madeira se apresenta em palco numa derradeira homenagem à humanidade. É através da Música, esta sublime arte que ao longo dos séculos tem brindado o público, que nos realizamos profissionalmente e nos preenchemos enquanto seres humanos. Norberto Gomes, OCM
Durante o concerto, Margulis apresentou uma surpresa ao público, tocando com o jovem violinista Jesus Madrid, aluno do Conservatório, numa interpretação de 'Passacaglia de Haendel/Alvorsen para dois violinos', reconhecendo o nível do ensino artístico na Região.
O director artístico da OCM enaltece a presença de um numeroso grupo de jovens, muitos deles alunos do Conservatório, que têm acompanhado regularmente os concertos da Orquestra, considerando este facto “uma clara mensagem de que a música é um elemento importante na vida e no futuro destes jovens”.
Norberto Gomes defende que “a Orquestra Clássica da Madeira, pelo seu percurso e postura, é, indiscutivelmente, neste momento património imaterial cultural da Região Autónoma da Madeira”, afirmando que “a arte, através do belo, eleva-nos a alma e configura em nós a beleza da existência humana”.
Sobre a OCM
Fundada em 1964, a actual Orquestra Clássica da Madeira teve origem na Orquestra de Câmara da Academia de Música da Madeira, criada no seio da então Academia de Música e Belas Artes da Madeira (AMBAM). A sua primeira apresentação pública ocorreu a 13 de Fevereiro desse ano no Teatro Municipal Baltazar Dias, no âmbito do Festival de Música Portuguesa, realizado pela primeira vez na cidade do Funchal.
Inicialmente concebida com um carácter pedagógico, a orquestra era composta por alunos do Curso Superior de Música e, sempre que necessário, por docentes da instituição. Em 1996, com o apoio do Governo Regional da Madeira, registou-se um reforço significativo do número de músicos, o que levou à sua designação actual de Orquestra Clássica da Madeira, estatuto assumido no início da temporada 1996/1997.
Desde 2013, a composição encontra-se sob a gestão da Associação Notas e Sinfonias Atlânticas e sob a direcção artística do violinista Norberto Gomes.