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Madeira

JPP apela a “sobressalto cívico” para travar venda do Hospital Dr. Nélio Mendonça

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O Juntos Pelo Povo (JPP) veio a público manifestar “total estupefação” face à confirmação da venda do edifício do Hospital Dr. Nélio Mendonça, avançada esta sexta-feira pelo presidente do Governo Regional, Miguel Albuquerque. Uma decisão que o partido considera ter sido tomada “sem debate” e de forma “imponderada ou megalómana”.

Nesse contexto, Élvio Sousa defende que a decisão deve ser amplamente esclarecida e contestada pela sociedade civil.

Num comunicado remetido ao início da tarde às redacções, o líder do maior partido da oposição refere que a decisão “terá de ser travada enquanto não for cabalmente esclarecida”, sublinhando que “o património da Região não é do PSD/CDS”.

Para o JPP, a proposta levanta “sérias suspeitas” e demonstra que o presidente do Governo “não está a zelar pelo interesse público”. Élvio Sousa critica ainda o argumento de Miguel Albuquerque de que não é possível instalar um lar num edifício não concebido para esse fim, por implicar “custos excessivos e disfuncionalidades”, considerando-o “poeira para os olhos”.

O dirigente recorda que o Governo Regional não adoptou o mesmo critério noutros casos, como o Solar do Santo, um edifício privado anunciado para ser transformado em lar, ou o próprio Hospital Dr. Nélio Mendonça, que, no passado, “todo o PSD, sem excepção, entendia que deveria ser melhorado e ampliado”.

“O argumento não pega”, afirma Élvio Sousa, acusando o Executivo de tomar “decisões ao gosto do freguês”, favorecendo património privado próximo do PSD/CDS e, por outro lado, “espatifando o património da Região”.

O JPP exige “esclarecimentos e total transparência” na gestão do património regional, sobretudo "quando este Governo PSD/CDS se tem revelado incompetente para resolver a enorme carência de camas e de lares", apesar dos fundos do PRR.

Segundo o partido, existem “milhares de madeirenses e famílias” a enfrentar a falta de camas para idosos, pessoas em corredores hospitalares e ausência de cuidados continuados, enquanto o Governo está “focado em negócios opacos”.

O JPP apela, por isso, a um “sobressalto cívico” para exigir explicações sobre “os verdadeiros interesses por detrás desta decisão”. O partido rejeita ainda a justificação de que a venda do hospital servirá para pagar o novo Hospital Central e Universitário da Madeira, lembrando que essa solução foi rejeitada nas negociações com Lisboa e que a Região registou, entre Janeiro e Setembro de 2025, um saldo positivo de 181,4 milhões de euros.

“Se há dinheiro para construir campos de golfe para depois os entregar aos privados, há dinheiro para o novo hospital”, conclui Élvio Sousa.