DNOTICIAS.PT
Mundo

Sérgio Gonçalves defende direitos dos passageiros

Parlamento Europeu debate esta tarde e vota amanhã dossier com 11 anos

None

O Parlamento Europeu debate esta tarde e vota amanhã a sua posição sobre a revisão das regras europeias relativas aos direitos dos passageiros em viagens de avião, depois de a Comissão dos Transportes e do Turismo (TRAN) ter aprovado o relatório na semana passada. Esta votação surge após uma tentativa falhada de acordo entre o Parlamento Europeu e os Estados-Membros no ano passado.

O eurodeputado  madeirense, Sérgio Gonçalves, que é membro da TRAN, explica que “enquanto o Parlamento insiste em proteger os passageiros, vários governos nacionais continuam a pressionar para reduzir essas protecções, em prol das companhias aéreas, o que significaria, na prática, uma retirada de direitos para quem viaja”.

São vários os pontos em negociação em que parlamentares e governos não encontraram consenso. O Parlamento Europeu defende a manutenção das regras actuais, que garantem que o passageiro tem direito a compensação por atrasos superiores a três horas, cancelamentos do voo ou recusa de embarque. O Conselho da UE, composto pelos governos nacionais, propõe, pelo contrário, aumentar este limiar mínimo para quatro horas.

O Parlamento Europeu defende também que todos os passageiros devem poder levar a bordo, sem custos adicionais, um item pessoal e uma pequena mala de mão, com dimensões uniformizadas entre companhias. Mas há mais. Sérgio Gonçalves aponta que “é necessário acabar com taxas e taxinhas injustificadas, como cobrar pelo check-in ou pela correcção de erros simples no nome do bilhete”, práticas que considera penalizarem injustamente os passageiros e gerarem receitas adicionais pouco transparentes.

A proposta que vai a votos dedica também especial atenção às famílias e aos passageiros com mobilidade reduzida. “Pais que viajam com crianças devem poder sentar-se ao lado dos seus filhos sem terem de pagar mais por isso”, refere o eurodeputado madeirense. “Do mesmo modo, os passageiros que necessitam de assistência devem recebê-la de forma adequada, devendo existir uma compensação sempre que os aeroportos ou operadores falham no cumprimento desse dever básico”.

O Parlamento Europeu também quer tornar os reembolsos mais rápidos, simples e eficazes. Daí defender que as companhias aéreas devem enviar aos passageiros um formulário de compensação pré-preenchido no prazo de 48 horas após um atraso ou cancelamento, com o objectivo de reduzir a burocracia, facilitar os pedidos de compensação e diminuir a dependência de intermediários que existem devido à complexidade do sistema.

Um processo com 11 anos

Esta proposta foi aprovada na Comissão TRAN com 36 votos a favor e duas abstenções, sendo esperada uma aprovação por larga maioria na votação em plenário em Estrasburgo, após a qual se seguirão novas rondas de negociações com o Conselho, para nova tentativa de conciliação.

Eu estou bastante optimista em relação à votação. Não será por unanimidade mas por uma larga maioria sobre esta posição do Parlamento e depois veremos na negociação com os Estados, no Conselho, que resultado sairá de todo este processo" Sérgio Gonçalves

Este processo relativo aos direitos dos passageiros está em negociação há cerca de 11 anos, logo, é o terceiro mandato  em que motiva discussões. A partir da votação de amanhã, será feito o caminho rumo a um processo de conciliação e havendo acordo entre o Parlamento e o Conselho, as alterações serão efectuadas, caso contrário, toda a legislação cai e o processo volta ao início.

Aquilo que existe da parte do Parlamento Europeu é um consenso bastante alargado entre praticamente todas as famílias políticas e todos os deputados envolvidos nesta discussão, relativamente àquela que é a posição do PE e às alterações que pretende face à proposta que está em cima da mesa. Sérgio Gonçalves

Num  cenário de diminuição dos direitos dos passageiros,  já que muitos Estados-membros não partilham da posição do Parlamento,  não haverá acordo. “Corremos o risco depois de mais de dez anos a discutir esta matéria que a legislação fique toda tal como existe hoje em dia sem alterações, o que no caso dos cancelamentos e das indemnizações acabaria por ser positivo porque não haverá uma redução de direitos mas nas questões como introduzir uma mala gratuita ou permitir às crianças a viajarem ao lado do adulto que as acompanha sem custo adicional não serão criadas essas alterações e portanto não será o óptimo, na óptica do Parlamento mas veremos depois no processo de conciliação o que acontece", refere o eurodeputado madeirense..