Dono de bar na Suíça onde morreram 40 pessoas garante que normas foram cumpridas
O dono do bar na estação de esqui suíça de Crans-Montana onde um incêndio na passagem de anos fez pelo menos 40 mortos e 119 feridos, garantiu hoje que as instalações cumpriam as normas e foram vistoriadas.
Os proprietários do bar, Le Constellation, são um casal francês, e afirmaram ao jornal La Tribune de Genève que o estabelecimento foi inspecionado três vezes em dez anos e que "tudo estava em conformidade com as normas".
"Faremos tudo o que pudermos para ajudar a esclarecer as causas" da tragédia, disse Jacques Moretti ao 20Minutes.ch, na sua casa em Lens, uma aldeia perto de Crans-Montana.
"Não conseguimos dormir nem comer; estamos todos muito mal", acrescentou.
O casal foi já interrogado pelos investigadores, mas como declarantes, o que significa que não foram detidos nem formalmente acusados, segundo a procuradora-geral do Cantão de Valais, Béatrice Pilloud.
Foram questionados, nomeadamente, sobre a planta do estabelecimento, as obras de renovação e a lotação do bar.
Segundo a imprensa local, Jacques Moretti não estava no Constellation durante o devastador incêndio, mas sim num dos outros dois estabelecimentos do casal.
A sua mulher, Jessica Moretti, que estava no local da tragédia, sofreu ferimentos ligeiros, mas conseguiu regressar a casa.
Com base nas conclusões iniciais da investigação, disse hoje a procuradora-geral do Cantão de Valais à imprensa, "tudo indica que o fogo teve origem em velas incandescentes ou fogos de artifício colocados em garrafas de champanhe e que estavam muito próximos do teto".
"A partir daí, ocorreu uma combustão rápida, muito rápida e generalizada", adiantou.
Imagens do incêndio que circulam nas redes sociais, mostram que uma pessoa montada nos ombros de outra pode ter provocado acidentalmente o incêndio no teto.
A investigação irá focar-se particularmente na espuma aplicada no teto do bar destruído, uma vez que várias testemunhas apontaram este aspeto do incêndio.
"A investigação irá determinar se esta espuma está em conformidade com as normas" ou não, afirmou Pilloud.
O incêndio mortal em Crans-Montana, no cantão de Valais (sudoeste), causou, até ao momento, 40 mortes e 119 feridos, entre eles uma cidadã portuguesa, informou hoje a polícia suíça.
As autoridades suíças admitem que o número de vítimas mortais possa aumentar, e adiantaram que cerca de 50 feridos foram transferidos para vários países europeus, quatro deles para a Bélgica.
Entre os feridos confirmados figuram 14 franceses, 11 italianos e quatro sérvios.
Segundo avançou à agência Lusa o Ministério dos Negócios Estrangeiros português, uma mulher de nacionalidade portuguesa está entre os feridos do incêndio, existindo ainda uma outra desaparecida.