Assuntos diversos

No DN de 2 de novembro de 2025, página 33, a 2.ª carta com o título: “Desalojados locais”; o ilustre Sr. João Freitas tem toda a razão em alertar para a grave situação dos AL.

A nossa cidade do Funchal está saturada de AL — Alojamento Local — visto que grande parte das residências que eram ocupadas pelo povo madeirense, presentemente, são agora ocupadas por turistas, causando falta de habitações para os nativos.

Na 3.ª carta, do mesmo DN, com o título: “Salazar/PIDE” — carta escrita pelo Sr. Damião de Freitas —, lê-se nas primeiras seis linhas o seguinte:

“Julgo estar a viver um pesadelo dos anos 60.

É verdade que vivi na era de A. O. Salazar e da chocante P.I.D.E. Tempos jamais esquecidos.”

O Sr. Damião de Freitas tem razão em afirmar que vivia um pesadelo dos anos 60 (1960).

Eu, José Fagundes, confirmo o que o Sr. Damião de Freitas e muitos milhares de madeirenses viveram na mesma situação, visto que a PIDE — Polícia de Investigação e Defesa do Estado — perseguia os cidadãos que não alinhavam com a ditadura do Dr. Oliveira Salazar. Foram milhares os madeirenses que emigraram para outros países.

No DN do dia 3 do corrente mês, página 28, com o título: “Isto não é Bangladesh”? E se na Venezuela tivessem dito “Isto não é Portugal”?”, lê-se nas últimas quatro linhas o seguinte:

“Sem imigração, não há crescimento. Sem integração, não há coesão. E sem dignidade, não há humanidade.”

Artigo do ilustre Professor Dr. Paulo Cafôfo.

Tem razão o Senhor antigo Presidente da Câmara Municipal do Funchal, Prof. Dr. Paulo Cafôfo, em chamar a atenção para estas situações, visto que os imigrantes são pessoas que vêm ajudar e contribuir com os seus préstimos e conhecimentos para o progresso da Região Autónoma da Madeira.

No mesmo DN, página 30, com o título: “Manifesto das Ilhas Vivas” — [Porque não somos cenário, somos lugar, somos gente] —, artigo do Sr. Nuno Morna, apresentando 10 questões, lê-se na questão 10 o seguinte:

“Juramento das Ilhas Vivas

Juramos, diante do mar, do vento, das serras, que não voltaremos a calar-nos.

Juramos que cada sorriso será livre, e não imposto.

Que cada casa será abrigo, e não dívida.

Que cada criança aprenderá a pensar, e não a repetir.

Juramos que não venderemos a alma em troca de promessas, nem deixaremos que nos comprem com festas, subsídios e discursos.

‘Sou filho desta terra, e esta terra não está à venda.’

Juramos que a dignidade será o nome do progresso.

E que o futuro das ilhas não caberá em folhetos turísticos nem em slogans de campanha.

Será feito por quem aqui vive, trabalha, sofre e ama.

E quando nos chamarem sonhadores, sorriremos, sim, mas será o primeiro sorriso verdadeiro em muitos séculos.

Porque, dessa vez, o sorriso será nosso.”

Infelizmente, o idealismo do ilustre Sr. Nuno Morna não é possível pôr em prática no nosso arquipélago, visto que o poder do capital monetário está a ser dominado pelas empresas S.A. — Sociedades Anónimas.

São as Sociedades Anónimas, implantadas nas Ilhas da Madeira, as detentoras do poder económico e político.

José Fagundes