Polémica em torno de estacionamento na Praça do Município é "falsa questão"
A presidente da Câmara Municipal do Funchal realça que apenas está a ser feito um estudo. "Nós não decidimos avançar com a Praça do Município, nós não decidimos recuar", nota a autarca
A Câmara Municipal do Funchal garante que vai respeitar todos os pareceres técnicos que venham a ser produzidos em relação ao parque de estacionamento subterrâneo que há intenção de construir na Praça do Município, no centro da cidade do Funchal.
Cristina Pedra, à margem de uma iniciativa que assinala o Dia Internacional da Juventude, que decorre na Praça do Povo, esclareceu que, neste momento, está apenas a ser preparado o estudo sobre a viabilidade ou não da infra-estrutura, considerando, por isso, uma "falsa questão" toda a polémica entretanto criada.
A autarca lembra que está apenas a dar seguimento a uma promessa eleitoral feita pela coligação 'Funchal Sempre à Frente', quando se apresentou a eleições, que acabou ganhando com maioria, conforme fez questão de realçar Cristina Pedra, dizendo-se, por isso, legitimada para dar seguimento ao processo.
A Câmara Municipal do Funchal candidatou-se a eleições com um programa eleitoral, no qual foi apresentada uma ideia de desenvolver um parque de estacionamento subterrâneo, na Praça do Município. Não é uma ideia inovadora. Em 2005, quando o PS era liderado pelo Dr. Carlos Pereira, ele apresentou uma proposta para 600 viaturas parqueadas na Praça do Município. Essa proposta, que nós vertemos em promessa eleitoral, e devo lembrar que nós ganhámos as eleições com maioria, e, portanto, tivemos o arrojo e a coragem de pôr, em tempo útil, na apreciação dos funchalenses, essa ideia logo foi vista pelo anterior presidente da Câmara, o Dr. Pedro Calado, que assumiu que só iria para a frente se, após estudos realizados, concretizasse que não fazia perigar nenhum elemento. Cristina Pedra, presidente da Câmara Municipal do Funchal
Em todo o caso, outra garantia deixada pela autarca foi a de que nada será implementado, independentemente dos pareceres, neste mandato. Caso continue à frente dos destinos do Funchal, Crsitina Pedra assegura que "se o parecer for negativo, não vai ser feito. Isso aí é garantido. Se o parecer for positivo, depende de prioridades que estão em dia. Até ao fim deste mandato não será feito", complementou.
O objectivo, salientou, é deixar um estudo devidamente instruído para que, quem vier a assumir a Câmara do Funchal possa decidir com fundamento técnico e não baseado "nas teorias do 'achismo'". "O que nós hoje estamos a fazer é um estudo", reiterou. "Nós não decidimos avançar com a Praça do Município e não decidimos recuar com a Praça do Município", acrescentou a presidente da Câmara, sustentando que "ninguém se oporá a que a Câmara faça os estudos sérios, com as entidades especializadas, científicas, técnicas”.
“Não há nenhuma decisão de avançar. Não há nenhuma decisão de abandonar. Há um processo que está a ser estudado”, reforçou a autarca, notando ser a primeira a se opor ao projecto, caso a fundamentação técnica e científica venha a desaconselhá-lo. “Não será feito nesse caso”, garantiu.
A par do parecer pedido à Direcção Regional de Cultura, nos últimos dias, Cristina Pedra disse estar já na posse dos estudos feitos pelos serviços camarários, nos quais, conforme apontou, foram apontadas "sensibilidades que não podem ser ignoradas".
A edil disse, ainda, que a construção do parque não visa trazer mais automóveis para o centro da cidade, mas sim disciplinar o estacionamento desregrado que possa existir. Rejeita, por esta via, a possível tese de que a CMF está em contra-ciclo com as grandes cidades desenvolvidas, que apostam em políticas de mobilidade assente em menos automóveis.
Nós temos um sério problema de falta de estacionamento. Nós queremos mais estacionamento. E seria acobardarmo-nos, dizermos que se não for feito na Praça do Município o problema deixamos de ter o problema. Não, o problema existe. E compete-nos, enquanto governantes da cidade, procurar alternativas dentro do que é possível. Cristina Pedra, presidente da Câmara Municipal do Funchal
"Não queremos fazer mais parques de estacionamento para atrair mais carros", frisou Cristina Pedra, realçando que "os carros estão cá, estão é mal estacionados", impondo-se encontrar soluções de estacionamento para os problemas já identificados.
A presidente da Câmara garante que está preparada para dar um passo atrás caso os pareceres vinculativos sejam negativos. E, mesmo que tais pareceres sejam positivos, "em cada momento, são policamente definidas prioridades de investimento", notando que, neste momento, essas prioridades recaem na construção de mais habitação e a execução dos 180 fogos de habitação, que contam com fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). "Até ao fim deste mandato não será ali construído nada", sentenciou, argumentando que "estão a pôr o carro à frente dos bois".