Madeira

“Valeu a pena o que esta gente sonhadora pensou [há 45 anos] e nós orgulhamo-nos de ser herdeiros deles”

Francisco Oliveira e as comemorações dos 45 anos do SPM

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Francisco Oliveira, coordenador do Sindicato dos Professores da Madeira (SPM) faz “balanço muito positivo” dos 45 anos de existência do SPM, que este fim-de-semana comemora o aniversário, repartido entre várias iniciativas que acontecem este sábado na sede do sindicato, e o almoço e concerto de aniversário, agendados para amanhã.

Antes do descerrar da placa comemorativa dos 45 anos, Francisco Oliveira, acompanhado de dois sócios fundadores, os professores Adília Andrade e Francisco Costa, enalteceu a presença daqueles que deram os primeiros contributos ao SPM para testemunhar “a prova da continuidade de um trabalho” que diz ter sido “constante ao longo destes 45 anos”. Criado com objectivos bem definidos, regista com agrado a conquista de muitos objectivos, embora esclareça que esse alcançar “seja um processo continuo”. Recuando no tempo, destacou “a dignificação da carreira docente”, uma conquista que “foi importantíssima no princípio e continua a sê-lo agora”, ao lembrar que então “vínhamos de uma Educação de ditadura onde os professores não eram considerados verdadeiros profissionais. Era quase uma missão, eram mal pagos”. Motivo para justificadas preocupações que levaram os professores a “lutas intensas nas décadas de 80 e 90”, determinados em conquistar “um estatuto profissional que os dignificasse”, o que veio a ser conseguido.

Para Francisco Oliveira, “daí para cá, felizmente, conseguimos alguma estabilização em termos de estatuto”, o que não invalida de considerar que ainda “há muito a conquistar dentro desse estatuto”, daí o compromisso deste SPM em continuar a lutar e a dar contributos “para que isso venha sendo alcançado progressivamente”, vincou.

Exemplo concreto dessa persistência dos actuais dirigentes do SPM, lembra que ainda esta semana tiveram a garantia da Secretaria Regional de Educação “que vão ser reparados mais dois problemas que tínhamos, nomeadamente as reduções do 1º Ciclo e do Pré-escolar, que vai ficar muito em breve também resolvido aqui na Madeira, e a garantia que vão vincular metade dos contratados”, embora neste particular considere que “ainda é pouco, porque devem vincular todos, porque todos fazem falta num momento em que cada vez mais os professores em número suficiente são uma raridade”, insiste em alertar.

É sobretudo pelas conquistas alcançadas nestes 45 anos de SPM, “processo que continua ainda em concretização”, que Francisco Oliveira olha para o trabalho realizado por todos quantos desempenharam funções no SPM “de forma muito optimista, pois valeu a pena o que esta gente sonhadora pensou e nós orgulhamo-nos de ser herdeiros deles e de felizmente continuarmos a dar passos para que aquilo com que eles sonharam se venha sempre a construir”, disse.

Este final de tarde é de festa na sede do SPM, onde marcam presença dezenas de professores, muitos dos quais já reformados.

As comemorações arrancaram com o descerrar, junto da porta de entrada, de placa comemorativa dos 45 anos, seguindo-se a homenagem aos associados com 25 anos de fidelização (cerca de 30), e aos mais de 200 docentes que já são sócios do SPM há 40 ou mais anos.

Ainda esta tarde será inaugurada o mural ’45 anos de lutas’ da autoria do pintor Marcos Milewski.

Amanhã será o culminar das comemorações com almoço numa unidade hoteleira do Funchal, e ao entardecer, o concerto comemorativo do 45.º aniversário do Sindicato dos Professores da Madeira, a ser realizado pela Orquestra Clássica da Madeira, com a fadista Katia Guerreiro, que contará com a participação especial de Pedro de Castro na guitarra portuguesa, e sob a direcção do maestro Francisco Loreto.