Mundo

Mais de quatro milhões de brasileiros moram em zonas de risco de desastre

None

Mais de quatro milhões de brasileiros moram em zonas de risco de desastre, anunciou hoje o Governo brasileiro, quando fortes chuvas na costa do estado de São Paulo provocaram a morte a 44 pessoas.

Segundo informações enviadas à hoje Agência Brasil pelo ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, as autoridades já mapearam "14 mil pontos de riscos altíssimos de desastre e quatro milhões de pessoas morando nessas áreas".

Em relação às fortes chuvas que atingiram a costa do estado brasileiro de São Paulo, que provocou a morte a 44 pessoas, com ainda 40 pessoas desaparecidas, Waldez Góes frisou que há "mais de 600 homens e mulheres" envolvidos no resgate de pessoas e "limpando, desobstruindo estradas, encontrando mortos, levando pessoas para hospitais, distribuindo água, transportando gente com a aeronave".

A zona mais atingida é o município de São Sebastião, onde foram reportadas 43 mortes naquela que já é considerada "uma das maiores tragédias da história" da região, que suportou um nível de precipitação recorde no país, com mais de 680 milímetros em 24 horas.

A outra morte foi registada na cidade de Ubatuba.

Cerca de 2.500 pessoas foram forçadas a fugir das suas casas e a refugiar-se temporariamente nas casas de familiares, escolas e organizações da sociedade civil.

Mais de 600 tropas, incluindo soldados do exército, continuam os esforços de busca e salvamento para localizar os desaparecidos e salvar as pessoas que forem sendo localizadas.

Entre os resgatados, encontra-se a ministra da Gestão do Brasil, Esther Dweck, que estava com a sua família numa urbanização na praia de Camburi, em São Sebastião, de acordo com os meios de comunicação locais.

As autoridades começaram também a distribuir 7,5 toneladas de ajuda humanitária, uma vez que ainda não há abastecimento de água ou eletricidade em vários locais e existem graves problemas de comunicação.

Por outro lado, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, anunciou hoje que a Marinha vai criar um hospital de campanha para atender as vítimas, com 300 camas de enfermagem e cerca de 20 profissionais de saúde.

As chuvas torrenciais causaram numerosas inundações e deslizamentos de terra em pelo menos seis cidades ao longo da costa turística de São Paulo: São Sebastião, Caraguatatuba, Guarujá, Bertioga, Ilhabela e Ubatuba.

De Freitas, um antigo ministro das Infraestruturas do governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), decretou "estado de calamidade pública" nestes municípios, com o objetivo de acelerar a libertação de recursos para ajudar a população.

Muitas estradas foram também gravemente danificadas, incluindo a que liga as cidades de Santos e do Rio de Janeiro, dificultando o acesso das brigadas de salvamento às áreas afetadas pela intempérie.

A catástrofe ocorreu no auge das festividades do Carnaval, quando dezenas de turistas se deslocam das grandes cidades para esta região de praias paradisíacas no meio da Mata Atlântica.

O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, sobrevoou na segunda-feira as zonas mais atingidas, acompanhado por uma grande delegação de ministros.

O Presidente comprometeu-se a "reconstruir" as casas destruídas ou danificadas na região e apelou às autoridades do país para que parassem de construir em zonas consideradas de alto risco de inundações e deslizamentos de terras.

As tempestades na região sudeste do Brasil durante esta época do ano são comuns, mas nos últimos anos têm sido mais intensas e destrutivas.