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Influenciar o futuro

Começo com uma pergunta: já repararam que a grande maioria das discussões políticas centram-se em fait divers, em factos que não valem nada e não alteram nada, em vez de questões de fundo?

Na Madeira tínhamos matéria para uma tese de doutoramento, tal a quantidade de temas que, particularmente o PSD, levanta para desviar a atenção daquilo que é verdadeiramente importante e podia alterar a vida dos madeirenses, em vez de somente alimentar as conversas de café.

Assisti com particular interesse aos discursos na Assembleia Regional, por ocasião do dia da Região Autónoma da Madeira e das Comunidades Madeirenses. Diga-se, antes de continuar o tema deste artigo de opinião, que nunca se falou tanto de Comunidades e dos madeirenses que tanto nos orgulham nos quatro cantos do mundo. Ficam a ganhar os nossos compatriotas que adquirem a relevância que merecem.

Voltando ao assunto principal, o Sérgio Gonçalves, Presidente do PS Madeira, na sua intervenção constantemente interrompida com apartes e até ofensas, mostrou a firmeza necessária e colocou o dedo na ferida: “combateremos sempre a postura antidemocrática do Governo Regional, que esconde tudo aquilo que não lhe convém”. E não lhes convém falar das listas de espera na saúde, dos baixos salários, dos que trabalham mas vivem na pobreza, da subsidiodependência com fins eleitoralistas que retira trabalhadores às empresas, da falta de qualificações, do envelhecimento da população, da falta de habitação, do despovoamento e definhamento de partes importantes do território, da falta de oportunidades para os jovens.

A Região padece de problemas estruturais que o PSD nunca conseguiu resolver, apesar dos muitos milhões recebidos do Estado Português e da União Europeia, a maioria derramados em betão que modernizou com Infraestruturas as nossas ilhas, mas não proporcionou um desenvolvimento que beneficiasse todas as pessoas e não só alguma elite.

Todos sabem que ao longo da minha participação política tenho feito de tudo para olhar pelas pessoas e mudar este estado de coisas. Ao meu lado tenho tido a oportunidade de ter gente fantástica e genuinamente empenhada em provocar as mudanças necessárias. O Sérgio Gonçalves é uma dessas pessoas, com valores humanistas que o distinguem e com competência reconhecida até pelos seus opositores. É por isso que agora sou eu que estou ao lado dele, numa luta que continua a ser a mesma.

O Sérgio está a ter a postura correta: reconhece que os problemas existem e persistem, e propõe as respostas certas. A crise, ou as crises, que vivemos colocam-nos grandes desafios, mas também dão-nos a oportunidade de fazer diferente, de sermos inovadores, arrojados e criativos. Inovemos e ambicionemos para a Madeira e o Porto Santo uma nova perspetiva de desenvolvimento integral e não apenas uma visão assistencialista de todas as pessoas e de todo o território. Tenhamos a capacidade de criar as condições efetivas para atrair mais investimento externo, para proporcionar mais emprego, para gerar mais riqueza, e não nos deixemos entreter com assuntos estéreis, absolutamente dispensáveis e que nada resolvem.

Devemos mobilizar todas as forças políticas e todas as forças vivas da sociedade madeirense, apontando políticas e orientações para atingir três grandes objetivos: diversificar a nossa base económica, gerando investimento de maior valor acrescentado; gerar emprego e fixar os jovens na Região, aumentando os seus níveis de qualificação; combater o despovoamento do Norte e do Porto Santo, bem como as desigualdades sociais e de rendimento.

O combate à pobreza e exclusão social revela-se, neste momento, vital para uma estratégia de progresso social, numa perspetiva também de mudança de paradigma da sociedade. O meu maior desejo é que todos os madeirenses e porto-santenses possam viver com a dignidade e a qualidade de vida que merecem. Tudo isto sabendo que para isso é necessário esbater as desigualdades, através da promoção da justiça social e da inclusão da população mais vulnerável, sobretudo com políticas que incentivem empregos mais qualificados e bem remunerados, e o desenvolvimento económico sustentável.

Apesar do futuro ser imprevisível, como nos últimos tempos bem temos constatado, tenhamos a capacidade de o influenciar num sentido que beneficie todos.