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PP à procura de solução em Castela e Leão desconfia de proposta do PSOE

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O Partido Popular continua sem encontrar uma solução para governar em Castela e Leão, recusando coligar-se à extrema-direita ao mesmo tempo que considera pouco credível a oferta de abstenção dos socialistas em troca da rutura com o Vox.

Numa altura em que o líder regional do Partido Popular (PP, direita) ainda não iniciou as negociações, o porta-voz nacional do partido e presidente da câmara de Madrid, José Luis Martínez-Almeida, interrogou-se hoje sobre como é que o primeiro-ministro e líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), Pedro Sánchez, pode ter o "descaramento" de dizer aos restantes partidos com quem devem fazer um pacto.

"Confio em Alfonso Fernández Mañueco [candidato do PP a presidente do executivo regional], estou certo de que ele fará o que é melhor para Castela e Leão, mas insisto, o problema não é se o Vox [extrema-direita] entra ou não num governo, o problema em Espanha é o Governo de Pedro Sánchez e os seus pactos", sublinhou Almeida numa alusão à extrema-esquerda com quem o PSOE está coligado no executivo central e aos nacionalistas e independentistas catalães e bascos que lhe dão apoio parlamentar.

Pedro Sánchez repetiu hoje de manhã a oferta que fez na terça-feira no sentido de o PSOE se abster no parlamento regional de Castela e Leão para que o PP não dependa da extrema-direita.

Num debate parlamentar no Congresso dos Deputados (câmara baixa do parlamento), em Madrid, o chefe do executivo espanhol reiterou que a possibilidade de abstenção do PSOE dependia da condição de o PP rejeitar o Vox em todas as regiões espanholas.

Entretanto, o presidente do Vox, Santiago Abascal, assegurou também hoje que o seu partido não apoiará "gratuitamente" qualquer governo porque "tem o direito e o dever de fazer parte" do executivo em Castela e Leão, onde ganhou 13 representantes nas últimas eleições, pelo que se não for este o caso, "votará contra qualquer investidura".

"Os votos do Vox não vão ser oferecidos", salientou, e insistiu que o partido defendeu a mesma ideia ao longo da campanha eleitoral, pelo que representará "os valores e condições" dos seus eleitores para conseguir uma "mudança de rumo" nesta comunidade autónoma espanhola, que faz fronteira com o nordeste de Portugal.

Por esta razão, Santiago Abascal pediu que o partido ultranacionalista fosse "respeitado" e que lhe fosse dado "o mesmo que a outras forças políticas", lamentando que as outras formações não tenham deixado claro o que vão fazer com os resultados eleitorais obtidos.

O PP ganhou as eleições que se realizaram no domingo passado na região de Castela e Leão com 31 mandatos, mais dois do que tinha anteriormente, mas longe do objetivo da maioria absoluta (41 deputados regionais), dependendo para governar do Vox, que passou de um para 13 eleitos nas cortes da região.

O PSOE, com 28 mandatos, menos sete do que os que obteve em 2019, ficou agora em segundo lugar, não tendo possibilidade de se juntar a outros partidos, à esquerda, para formar governo.

O PP domina há 35 anos a região de Castela e Leão, a maior das comunidades espanholas (ligeiramente maior do que o território português) e ao mesmo tempo aquela que tem menos população em termos relativos (25 habitantes por quilómetro quadrado), e um total de cerca de 2,4 milhões de pessoas.