Madeira

Achados arqueológicos integrados no projecto de reabilitação da 'Baiana'

Objectos encontrados no Edifício da Baiana deverão integrar museu no Porto Santo

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As obras de reabilitação do conhecido edifício da Baiana, no Porto Santo, estão a ser acompanhadas por uma equipa técnica que integra um arqueólogo da Direcção Regional da Cultura, de modo a garantir que sejam asseguradas todas as condições para a salvaguarda e a preservação dos achados arqueológicos, recentemente encontrados neste edifício. O objectivo passa por enquadrá-los no projecto de reabilitação do edifício e os objectos em exposição no Porto Santo.

“Realçamos a importância da reabilitação para o património cultural da Ilha do Porto Santo, com a total harmonização entre os três intervenientes principais neste processo, a Sociedade de Desenvolvimento do Porto Santo S.A., a concessionária Tecnovia Madeira S.A. e a Direcção Regional da Cultura”, enaltece a presidente das Sociedades de Desenvolvimento, Nivalda Gonçalves.

Recorde-se que as entidades intervenientes iniciaram no imediato os procedimentos de análise técnica para a necessária preservação das três ‘Covas de pão’, conhecidas também por ‘silos’ ou ‘matamorras’, estando, neste momento, a decorrer o processo de escavação e de clivagem das terras, para que seja possível identificar e confirmar o objectivo da sua existência.

 O acompanhamento das obras está a ser executado pelo arqueólogo Daniel Sousa, que afiança existir “grande interesse histórico e arqueológico no edifício”, adiantando a hipótese de enquadramento total dos achados arqueológicos no projecto de arquitectura e de reabilitação do edifício, aprovado pela Sociedade de Desenvolvimento e em execução pela concessionária, desde que se comprove também total segurança para o efeito.

 O relatório técnico, a apresentar no final da execução dos trabalhos, deverá indicar o melhor enquadramento a executar, à semelhança do que foi feito com as matamorras existentes no centro da cidade e no Museu Colombo (protecção em vidro).

Na fase de início de interpretação e de análise dos materiais, foram descobertas calçadas exteriores de épocas distintas, que reflectem diferentes períodos de movimentação nativa do centro da ilha. No surgimento das calçadas encontraram-se objectos de provável interesse histórico, como são os falconetes (projéctil de arma de fogo) e outros. Em relação a estes objectos encontrados, estes deverão ser alvo de exposição futura em museu no Porto Santo.

O processo de escavação das terras pretende ainda clarificar a hipótese da existência do poço cisterna de abastecimento da ilha, que deverá remontar ao século XV, o que a se confirmar será certamente um achado arqueológo de extrema relevância.

“Actualmente as obras de recuperação do edifício estão a decorrer dentro da normalidade possível, considerando as dificuldades e restrições inerentes à pandemia COVID-19, sendo certo que existe uma grande consciência e sensibilidade para a salvaguarda do património do edifício da Baiana, que muito irá transmitir da cultura e modo de vida dos porto-santenses”, salienta Nivalda Gonçalves, acrescentando ainda que “na qualidade de proprietária do edifício, é intenção da Sociedade de Desenvolvimento do Porto Santo dar o devido acompanhamento a todo o processo de reabilitação do edifício, com a total perceção da valorização do património histórico e arqueológico acrescido, não só para o edifício da Baiana, mas para toda a ilha do Porto Santo”.

Estima-se que a obra esteja concluída este verão de 2021.