Alterações Climáticas 5 Sentidos

SillySeason estreiam-se na Madeira com 'Hotel Paraíso', perspectiva pessimista do clima

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Foto SillySeason

O conceito de ilha enquanto espaço encantatório está na base da peça "Hotel Paraíso", um espetáculo pessimista que aborda as alterações climáticas, a estrear-se no dia 24, no Teatro Municipal Baltazar Dias, no Funchal.

A ascensão de regimes totalitaristas, a ideia de uma Europa em ruínas e a relação homem-máquina são temas transversais à peça e aos habitantes, também eles em decadência, que vivem presos no Hotel Paraíso, disse à agência Lusa Cátia Tomé, dos SillySeason.

Uma peça "extremamente pessimista", em que há uma "destruição iminente" e que "levanta muitas interrogações sem pretender dar solução alguma", acrescentou.

"Hotel Paraíso" passa-se num lugar que não se define. Tanto pode ser uma suíte de hotel como outra coisa. Do local sabe-se apenas que é um mistério e que é habitado por pessoas que estão sempre em conflitos internos uns com os outros e que também estão sempre a ficcionar.

O medo em relação ao que se passa no exterior é algo que atravessa todas as personagens, assim como a impossibilidade de avançarem.

Um monte de areia à direita do palco, como se viesse de uma ampulheta que se tivesse partido - e como se o tempo se tivesse derramado -, que ficou parado naquele lugar, marca o cenário da peça ao longo da qual se interroga se o tempo, "enquanto bem mais precioso", pode ser comprado, vendido ou se pode entrar no mercado.

"E o que é isto de tempo?" é outra das interrogações deixadas na peça, em que as personagens também enfrentam a apatia.

A peça do coletivo SillySeason, dirigido por Cátia Tomé, Ivo Saraiva e Silva e Ricardo Teixeira, fica em cena no Funchal até dia 28, com sessões às 21:00.

Seguem-se apresentações no Teatro Estúdio Ildefonso Valério, em Alverca, Vila Franca de Xira, a 03 e 04 de dezembro, no Clube Estefânia, em Lisboa, de 16 a 19 de dezembro, e no Teatro das Figuras, em Faro, em 12 de março de 2022.

Com texto e direção de Cátia Tomé, Ivo Saraiva e Silva e Ricardo Teixeira, o espetáculo conta com interpretação dos próprios e de Ana Moreira, Paula Erra, Rafael Carvalho e Vítor Silva Costa.

Com uma componente vídeo muito forte, assinada por João Cristóvão Leitão, a peça tem música de Ricardo Remédio, direção coreográfica de Rodrigo Teixeira, iluminação de Zeca Camacho e figurinos de Inês Ariana.