Novo modelo de apoio às artes vai ser alargado às regiões autónomas
O novo modelo de apoio às artes, que deverá vigorar em 2018, vai ser alargado às regiões autónomas da Madeira e dos Açores, revelou hoje à agência Lusa, em Lisboa, o secretário de Estado da Cultura, Miguel Honrado.
Numa entrevista à Lusa, no final da ronda de encontros com artistas e estruturas do sector, de norte a sul do país, o secretário de Estado da Cultura sublinhou que esta é uma das novidades da proposta de diploma do Governo.
“Decidimos fazer este alargamento territorial, para integrar as regiões autónomas, pela primeira vez, num sistema desta natureza, acabando com a descriminação que existia, desde 1997”, altura da criação do primeiro enquadramento de regulamentação do apoio ao sector da actividade artística profissional de iniciativa não-governamental.
Questionado pela Lusa sobre as principais alterações ao actual modelo que se encontra em vigor há quase vinte anos, Miguel Honrado apontou “a maior organicidade e flexibilidade no sistema de apoios, e também simplificação, que partem de uma arquitectura mais cooperante com as necessidades do sector”.
Apontou, como exemplo a redução, em relação ao sistema vigente, de algumas componentes, como a simplificação das área artísticas - que passaram a ser três, artes performativas, artes visuais e cruzamentos disciplinares - que se combinam com oito domínios de actividade, “com um leque bastante abrangente de necessidades detectadas por um estudo realizado este ano no sector”.
“O sistema que ainda se encontra vigente é rígido e determinista. Está completamente desfasado da realidade do sector actual, e era urgente fazer esta remodelação. Daí a simplificação das áreas artísticas, e a grande abrangência dos domínios de actividade”, que vai desde a criação à investigação, programação, e internacionalização.
O desenvolvimento de públicos é introduzido nos domínios de actividade, o que não existia anteriormente, e foi dada uma maior relevância ao valor autónomo da investigação nas artes, acrescentou Miguel Honrado.
Nesta proposta do Governo para apoios públicos às artes, são criados três programas de apoio: o apoio sustentado, para projectos e em parceria, e as formas de atribuição de financiamento serão diferenciadas por concurso, procedimento simplificado ou por protocolo.
O programa de apoio sustentado visa consolidar entidades com actividade continuada, assente em planos plurianuais, e contempla as modalidades bienal e quadrienal.
Quanto ao programa de apoio a projectos, criado na proposta de diploma, visa estimular a inovação e diversidade artísticas e destina-se a projectos que possam ser concretizados até ao limite de um ano, e a complementar o financiamento de actividades previamente aprovadas no âmbito de programas internacionais de financiamento, ou cuja viabilização dependa de uma percentagem de apoio reduzida.
Na tipologia de programa em parceria, os apoios decorrem de acordos previamente estabelecidos entre a área da cultura, através da Direção-Geral das Artes (DGArtes), e outras pessoas colectivas públicas ou privadas, nacionais ou estrangeiras, assentes em objectivos estratégicos comuns.
No caso dos programas em parceria realizados com a administração local, será dada prioridade ao desenvolvimento de actividades nos territórios com oferta cultural reduzida ou inexistente.
Quanto ao plano estratégico do modelo, será de carácter plurianual, competindo a sua aprovação ao membro do Governo responsável pela área da Cultura, por despacho, sob proposta da DGArtes, e ouvidas as direcções regionais de cultura.
Neste plano, são fixadas as principais linhas estratégicas do apoio às artes, de acordo com os fins e objectivos estabelecidos, sendo revisto a cada quatro anos.
Ainda segundo a proposta, a DGArtes publicará uma declaração anual na respectiva página electrónica, com base nos objectivos, no plano estratégico plurianual, nas diversas necessidades de financiamento e nos recursos financeiros disponíveis, definindo programas de apoio a abrir para o ano em curso, e respectivo prazo limite de abertura.
Os apoios em causa visam as actividades profissionais nas áreas das artes visuais, das artes performativas e de cruzamento disciplinar, incluindo a arquitectura, as artes plásticas, o design, a fotografia, os novos media, o circo contemporâneo e artes de rua, a dança, a música e o teatro.
Tanto o novo modelo de apoio às artes, como o estudo sobre o inquérito aos agentes culturais, realizado no início deste ano, coordenado por uma equipa do Centro de Investigação e Estudos de Sociologia (CIES) do ISCTE -- Instituto Universitário de Lisboa, vão ser disponibilizados a partir de hoje à noite no sítio ‘online’ da DGArtes, www.dgartes.gov.pt .