Incêndios e Objectos Voadores
Não Identificados!

Vivemos no país das fotocópias, das leis ridículas e inexequíveis, no país do “laisser faire...”!

17 Jul 2017 / 02:00 H.

Infelizmente vivemos num país, onde, em cada 100, 10 falam em prevenção e 90 não fazem puto, mas discutem a falta dessa prevenção. Esses 90, são aqueles, que, nada fazendo, estão sempre aguardando que alguém faça tudo, por eles. Se não são exactamente 90, são perto disso ... o que importa é a grande maioria, deitar o lixo no chão, não lavar as mãos após ir á casa de banho, não usar pisca para mudar de faixa de rodagem e não fazer análises clínicas de rotina uma vez ao ano - estas, porque têm medo da agulha ... e também porque quando adoecem não pagam nada. Coisas tão elementares e simples, que as pessoas não fazem. E até acham inoportuno falar deste assunto! Por isso vivemos no país das fotocópias, das leis ridículas e inexequíveis, no país do “laisser faire...”!

Depois dos incêndios gigantescos que devastaram a Zona Centro, resultando, a destruição de casas e terrenos, ainda ocorreram inexplicavelmente dezenas de vítimas humanas - demonstrando uma vez mais, uma desorganização que tem de ser responsabilizada. Mas o meu receio é que chegado o reinício do ano escolar, lá para Outubro, já muitas pessoas esqueceram o que aconteceu... para voltar a falar no tema, em Junho de 2018, se voltar a suceder uma catástrofe idêntica. No imenso falatório televisivo sobre este desagradável assunto, sobressaiu a opinião de uma autarca daquelas regiões, defendendo os eucaliptos, achando desnecessários acabar com essas plantações. Também se destacou uma reportagem realizada para mostrar - inequivocamente - o local da ignição do tremendo incêndio, ... afinal uma árvore atingida por um raio, árvore essa rachada e totalmente ardida. Depois ouviram-se relatos, supostamente técnicos, a defender que um raio nunca faz arder uma árvore, antes a destrói, queimando-a no seu interior. Bem, foi uma catrefada de comentários não se dando a devida importância ao que fazer, imediatamente, para prevenir estes acidentes. Em paralelo, esse mesmo período, reparei no CEO da TAP falando na televisão, sobre objectos voadores não identificados. Não veio pedir desculpa aos portugueses - em particular aos madeirenses - pela gestão que faz da companhia , desviando viajantes estrangeiros do seu destino - Madeira - para o Porto e para Lisboa e ao mesmo tempo, promovendo o destino das ilhas canárias, como um paraíso atlântico. Acho importante falar destes OVNI´S, chamar a atenção para o perigo que representam, mas não deve ser exactamente esse senhor. Na realidade, um jovem norte-americano pode comprar uma arma de fogo livremente, numa loja, identifica-se, regista-se e faz o uso que melhor achar do objecto adquirido - esperemos que seja exclusivamente para defesa pessoal. Lá em casa, nesse país, todos sabem manejar esse tipo de instrumento. É comum e portanto habitual. Aqui, nesta simpática terra europeia, qualquer cidadão compra um drone, paga com cartão ou com efectivo, leva o aparelho para casa põe o “bicho” a voar ... e o resto ... que se lixe! Ninguém sabe de quem é o drone e ninguém se lembra que se pode manipular este ovni, colocando um pequeno explosivo plástico, e dirigi-lo para qualquer local específico. E se tal acontecer, nem o Divino Espírito Santo nos salva! Até porque ... já faliu!

Assim, temos assuntos urgentes para resolver, mas os nossos deputados da A.R. vão para gozo de merecidas férias, em vez de fazerem imediatamente leis sobre a gestão das áreas das florestas - 90% das quais são privadas, muitas delas abandonadas - e legislar acerca dos ovnis. Pelo menos identificar, registar e formar tecnicamente os seus utilizadores. Claro que tem de ser antes de acontecer um acidente de aeronáutica civil!

Como sei por experiência própria que os lusitanos têm memória curta ou até falta dela, lembro que há mecanismos e estratagemas para não esquecer as coisas. E, se não houver desde já prevenção, vão acontecer mais acidentes e vão morrer estúpida e desnecessariamente mais pessoas. Prevenir é salvar! E não salvar é o mesmo que deixar morrer!

José Manuel Morna Ramos
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