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Venezuela acusa EUA de usarem relatório de direitos humanos para violar soberania dos países

Foto Arquivo
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A Venezuela acusou hoje os Estados Unidos de violarem o respeito pela soberania dos Estados ao elaborarem um relatório sobre a situação dos direitos humanos.

“A Venezuela opõe-se categoricamente ao relatório sobre direitos humanos 2016, elaborado e difundido pelo Departamento de Estado dos EUA, que viola a igualdade jurídica e o respeito soberano entre os Estados, a não intervenção nos assuntos internos (...) e o princípio de boa-fé”, explica um comunicado do Ministério de Relações Exteriores (MRE) venezuelano

O documento foi divulgado em Caracas, quatro dias depois de os Estados Unidos darem a conhecer o relatório anual sobre direitos humanos, que revela que as liberdades básicas de expressão e associação estão em declínio no mundo.

Por outro lado, refere, entre outros, o uso “indiscriminado” da ação policial na Venezuela, alertando para um “sistemático e politizado uso do judiciário”.

Segundo Caracas, os Estados Unido atribuem-se “ilegalmente” competências internacionais de avaliação “mediante um descarado duplo padrão e uso político dos direitos humanos, que pretende transferir para o quintal dos seus vizinhos o que não consegue corrigir no próprio, ou pior ainda, que prefere deliberadamente ocultar com a cumplicidade da máquina mediática mundial”.

“O incumprimento em matéria de direitos humanos nos EUA é grave e massivo. Milhões de pessoas são discriminadas por causa da sua origem étnica, religiosa, género ou nacionalidade, sem contar com a descarada ofensa a migrantes e refugiados, sob novas formas de escravização ou segregação”, explica o comunicado do MRE.

Segundo Caracas, os Estados Unidos “não têm assinado os principais instrumentos internacionais em matéria de direitos humanos, incluindo os tratados e convenções de direitos das crianças”.

“As suas afrontas aos direitos humanos coincidem com uma ordem financeira internacional dirigida para consolidar cada vez mais a distância entre ricos e pobres, para favorecer o grande capital e marginalizar massivamente a maior parte da sua população, violando direitos essenciais como a saúde, a vida, a habitação, educação, alimentação e dignidade humana”, explica.

No comunicado a Venezuela acusa os Estados Unidos de serem a “máquina militar que tem causado a maior quantidade de mortes violentas no mundo, mediante intervenções bélicas para garantir (para si) os recursos naturais estratégicos dos países e a derrubar governos que não se alinham com os seus postulados e valores imperiais”.

Por outro lado, Caracas faz “um apelo aos EUA para implementarem esforços sinceros e efetivos para melhorar a situação de violação massiva dos direitos humanos no seu próprio território e a respeitá-los também no mundo”.